Rede de TV britânica diz ter arquivo com dados de 22 mil membros do EI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A rede de televisão britânica SkyNews revelou em seu site, na noite desta quarta-feira (9), que recebeu de um ex-integrante da facção radical Estado Islâmico um arquivo digital contendo dados pessoais de 22 mil membros da milícia.
Entre os dados do arquivo estão endereços, telefones, contatos familiares e até os tipos sanguíneos dos militantes.
Segundo a rede, os dados vêm de formulários que os voluntários do EI preenchem ao se integrarem ao grupo. Os registros mostram que a maioria deles é de países árabes, seguidos por franceses, alemães e britânicos.
O canal britânico publicou nesta quinta-feira detalhes da lista.
As informações estão contidas em um dispositivo USB, roubado do chefe da polícia interna da organização. A documentação é composta por formulários de adesão ao EI, com dados de milicianos de 51 países.
Os documentos teriam sido roubados por um indivíduo identificado pelo pseudônimo de Abu Hamed, um ex-combatente do Exército Livre da Síria -que se opõe ao regime do ditador Bashar al-Assad- que aderiu ao EI.
Abu Hamed teria sido entregado o dispositivo digital a um jornalista na Turquia, explicando que havia abandonado o EI por considerar que "os valores islâmicos colapsaram" no grupo.
"Esta organização é uma fraude, não tem nada a ver com o islã", disse o ex-miliciano. Segundo ele, o EI abandonou seu quartel-general na cidade síria de Raqqa e se dirigiu ao deserto.
MINA DE OURO
Richard Barrett, ex-diretor de operações antiterroristas mundiais do MI6, o serviço de inteligência britânico voltado ao exterior, disse que o vazamento dos dados é "um golpe fantástico".
"Será uma autêntica mina de ouro de informação, de enorme significado e que interessa a muita gente, em particular aos serviços de inteligência e segurança", disse Barrett.
O material conteria informações sobre numerosos terroristas ainda não identificados no norte da Europa, nos Estados Unidos, no Canadá, no norte da África e no Oriente Médio.
A SkyNews reproduziu os formulários da facção, com 23 perguntas, que permitem identificar os recrutas pelo endereço, tipo sanguíneo e nome de solteira de suas mães.
Entre as perguntas feitas no questionário ao suposto candidato a militante estão "[qual seu] nível de compreensão da sharia" (a lei islâmica), "[quais os] trabalhos anteriores", "quem o recomendou?", "você já lutou antes?" e, logo após esta questão, "quais foram suas tarefas?".
Nas listas também aparecem muitos militantes que já estavam fichados pelos serviços britânicos, como Abdel-Majed Abdel Bary, um ex-rapper do oeste de Londres que após seu alistamento no EI publicou em sua conta em uma rede social uma foto sua segurando a cabeça de uma pessoa decapitada.
Também figura Junaid Hussain, um hacker do EI, procedente de Birmingham, morto em um ataque de drone em agosto passado.
ALEMANHA
No início da semana, o jornal "Munich Süddeutsche Zeitung" e as TVs públicas NDR e WDR disseram ter em mãos dezenas de fichas de membros alemães do EI.
"Partimos do princípio de que se trata muito provavelmente de documentos autênticos. Assim, iremos avaliá-los em nossos processos judiciais e em nossas medidas de segurança", informou um porta-voz da BKA, a polícia criminal da Alemanha.
Ele não se pronunciou, entretanto, sobre os relatos da SkyNews sobre o arquivo com os 22 mil nomes de militantes.
O ministro do Interior alemão, Thomas de Maziere, disse que a lista abrirá caminho para "realizar investigações mais rápidas e mais claras e conseguir sentenças de prisão mais duras", além de ajudar a "entender melhor a estrutura" da organização.
