Entidades criticam falta de mulheres em conselho municipal de transportes
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na semana do Dia Internacional da Mulher, entidades integrantes do CMTT (Conselho Municipal de Trânsito e Transporte) divulgaram nota de repúdio ao que classificam como manobra na composição do conselho.
A polêmica se dá pela necessidade de divisão igual entre homens e mulheres em todos os conselhos municipais, conforme lei municipal regulamentada ano passado. Atualmente, o CMTT é composto por 38 homens (84%) e sete mulheres (16%), divididos em três partes: usuários do sistema, operadores (representantes de empresas de ônibus e de taxistas, entre outros) e de órgãos municipais.
Proposta apresentada no último dia 3 pelo representante da Secretaria Municipal de Transportes sugere dobrar o número de integrantes do conselho, de modo a atender ao decreto.
Para Marina Harkot, a duplicação das cadeiras não promoverá a substituição dos atuais membros homens por mulheres. "O que nos preocupa é que as cadeiras são ocupadas por homens, que continuarão a tomar as decisões", diz. "Não é assim que a gente muda a estrutura da sociedade."
A medida, diz, favorece que os operadores, por exemplo, mantenham homens em funções de decisão no conselho, que auxilia na discussão de políticas ligadas ao transporte - como a concessão de passe livre a estudantes.
Assinam a nota 16 entidades e dois conselheiros.
Procurada, a Secretaria Municipal de Transportes informou que a executiva do conselho se reuniu nesta quarta (9) em busca de alternativas para incorporar os 50% de vagas para mulheres no conselho. Agora, as propostas serão estudadas, diz a nota da secretaria, para encontrar a melhor solução. O decreto municipal será cumprido, conclui a pasta.
