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Saúde adota novo critério para definir suspeita de microcefalia

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NATÁLIA CANCIAN
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério da Saúde passa a adotar, a partir desta quarta-feira (9), novos critérios identificar casos de suspeita de microcefalia em recém-nascidos.
O protocolo anterior considerava como microcefalia os casos em que o perímetro da cabeça do bebê ao nascer era menor ou igual a 32 cm - parâmetro para aqueles com partos não prematuros.
Agora, a medida passa a 31,9 cm, no caso de meninos, e 31,5 cm, no caso de meninas. A mudança segue nova orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde), e vale para bebês nascidos com 37 semanas ou mais de gestação.
Nos casos de bebês prematuros, ou seja, nascidos com menos de 37 semanas de gestação, a mudança ocorre na tabela de referência para definição dos casos suspeitos. A partir de agora, passa a ser adotada a tabela de InterGrowth, em que a medida é comparada com o esperado para a idade gestacional do bebê.
Para o coordenador de vigilância e resposta a emergências em saúde, Wanderson Oliveira, a redução nos critérios deve tornar mais precisa a notificação de crianças com suspeita de microcefalia. "Na prática, teremos mais crianças corretamente identificadas", afirma.
Essa é a segunda vez em que o governo muda os parâmetros adotados para identificação dos casos da microcefalia. Inicialmente, o Ministério da Saúde adotava o parâmetro de 33 cm. Em seguida, reduziu para 32 cm.
Boletins divulgados por secretarias de saúde dos Estados e pelo Ministério da Saúde, no entanto, ainda mantém casos acima de 32 cm, o que dificulta a compreensão de um cenário real dos casos de microcefalia no país.
Segundo Oliveira, a pasta deve fazer uma revisão para verificar o número de casos acima desse parâmetro. Tais casos, afirma, continuarão a serem investigados e, por isso, devem continuar na lista até serem descartados.
A medição da cabeça do bebê deve ser feita logo após o parto, e repetida após 48 horas. Casos em que há suspeita de microcefalia são direcionados para exames de imagem para confirmar o diagnóstico, uma vez que há situações em que bebês com o tamanho menor da cabeça podem não ter uma má-formação do cérebro.
NOVOS DADOS
O país já soma 745 casos confirmados de microcefalia, aponta boletim divulgado nesta quarta (9). Segundo o Ministério da Saúde, são casos em que exames de imagem apontam a ocorrência de uma má-formação no cérebro de recém-nascidos possivelmente associada a uma infecção congênita (transmitida de mãe para filho).
Entre os casos, 88 já tiveram resultado positivo em exames para o vírus da zika, o que reforça a suspeita de que os casos estejam relacionados a uma infecção pelo vírus durante a gestação.
Assim como nas últimas semanas, o ministério não informou o número de casos já confirmados para outras possíveis causas, como citomegalovírus e toxoplasmose, por exemplo.
O diretor de doenças transmissíveis do ministério, Cláudio Maierovitch, porém, diz considerar que seja um número pequeno de casos. "Sabemos que o grande aumento que tivemos desde outubro foi pelo vírus zika. Perto desse aumento, as outras causas são estatisticamente irrelevantes", afirma.
Ao todo, foram notificados 6.158 casos de suspeita de microcefalia até o dia 5 de março. Destes, 1.182 foram descartados, 745 confirmados e outros 4.231 ainda estão em investigação.
O balanço aponta ainda 157 mortes de bebês com suspeita de microcefalia e outras más-formações de sistema nervoso, dos quais 37 casos já foram confirmados. Outros 18 foram descartados. As mortes ocorreram após o parto ou durante a gestação.
OMS
Após o anúncio dos dados, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse considerar "prudente" a recomendação feita nesta terça-feira (8) pela OMS de que gestantes usem preservativo relações sexuais com parceiros que vieram de áreas com maior circulação do vírus da zika.
"Há fortes indícios de que a transmissão sexual da zika pode ser mais frequente do que os cientistas inicialmente supunham", afirma Castro. "Evidente que a mulher gestante vai ter que tomar toda a precaução. Mesmo porque sabemos que há um número de pessoas acometidas de zika que não manifestam sintomas", diz.
Ele também defendeu a recomendação da OMS para que gestantes evitem viajar para áreas endêmicas.
"A questão da viagem nós também recomendamos. Mas como o Brasil é endêmico, não vamos dizer para nossas gestantes que não vão para região tal e tal, porque somos endêmicos mesmo. Mas dizemos que tomem todas as precauções", disse.

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