Conselho peruano tira maior rival de Keiko Fujimori de eleição presidencial
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O conselho eleitoral peruano bloqueou, nesta quarta (9), a candidatura do principal rival de Keiko Fujimori na disputa pela presidência. A decisão do conselho de excluir Julio Guzman, pelo placar de 3 a 2, levanta questões sobre a lisura das eleições deste ano e ameaça manchar a legitimidade da vitória de Fujimori, caso ela vença.
O economista Guzman era o único candidato que parecia ter chances de superar Fujimori, da Força Popular, de acordo com pesquisas recentes.
O Júri Nacional de Eleições decidiu que Guzman não pode participar da disputa porque seu partido, o Todos pelo Peru, não conseguiu cumprir os procedimentos eleitorais quando registrou a candidatura presidencial.
"Nenhuma democracia moderna exclui candidatos à presidência por quebrar regras menores", diz o cientista político Steve Levitsky, da universidade de Harvard. "Trata-se de um terrível precedente."
Guzman tem sugerido que Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, e outros rivais estejam unidos para bloquear sua candidatura -eles negam as acusações. Guzman já havia dito que ele poderia levar o caso para a Justiça e convocar protestos.
A decisão sobre a candidatura do tecnocrata já era especulada nos conselhos eleitorais há mais de um mês, deixando muitos peruanos exasperados e com suspeitas de ilegalidades na disputa.
O chefe do conselho eleitoral que votou a favor da admissão de Guzman disse, no último dia 26, que estava recebendo ameaças de morte. Na quarta, o órgão também rejeitou um apelo, feito pelo ex-governador Cesar Acuna, para permanecer na disputa. Ele é acusado de dar dinheiro para eleitores pobres durante a campanha -o que viola uma nova lei que proíbe a compra de votos. Acuna caiu para o quarto lugar na última pesquisa realizada pelo instituto Ipsos.
Levantamentos recentes indicam que os votos que iriam para Guzman e Acuna devem ser pulverizados entre diversos candidatos, com Fujimori e o ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski entre os principais beneficiados.
Fujimori não deve vencer nas eleições do próximo mês, e os eleitores podem puni-la no segundo turno caso acreditem que o sistema tradicional político tenha tirado Guzman e Acuna da corrida eleitoral injustamente.
Os dois políticos cresceram nas pesquisas em meio a uma frustração entre os eleitores devido a uma disputa com candidatos muitos conhecidos, mas impopulares, incluindo dois ex-presidentes.
As instituições eleitorais peruanas não deflagravam tanta controvérsia desde 2000, quando permitiu que Alberto Fujimori concorresse a um terceiro mandato, embora houvesse um veto constitucional. Fujimori está cumprindo uma sentença de 25 anos por corrupção e abusos de direitos humanos e cometidos em seu governo entre os anos de 1990 e 2000.
