Tabloide diz que rainha apoia saída do Reino Unido da UE; palácio nega
JULIANO MACHADO
BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - O Palácio de Buckingham classificou de "espúrios" os relatos da manchete desta quarta-feira (9) do tabloide "The Sun" de que a rainha Elizabeth 2ª é a favor da saída do Reino Unido da União Europeia.
"Rainha apoia Brexit (aglutinação de Britain e "exit", saída em inglês)", estampa a capa do diário. Os britânicos votam, em referendo no dia 23 de junho, se querem ou não permanecer no bloco.
Segundo um porta-voz de Buckingham, "a rainha permanece politicamente neutra, como ela tem sido por 63 anos [de reinado]. O referendo é uma questão para o povo britânico decidir".
O jornal diz que a rainha teria expressado seu descontentamento com o bloco europeu em um almoço em 2011 com o então vice-premiê Nick Clegg, liberal-democrata e abertamente pró-UE. A monarca teria dito que o bloco estava indo na direção errada.
De acordo com uma "fonte sênior", diz o "The Sun", as pessoas que presenciaram o diálogo "não tiveram nenhuma dúvida de qual era a visão da rainha sobre a integração europeia".
Por sua conta no Twitter, Clegg afirmou que avisou ao jornalista do "Sun" se tratar de uma "bobagem". "Não tenho lembrança desse acontecimento, e não é o tipo de coisa do qual eu me esqueceria", escreveu.
Em fevereiro, o premiê David Cameron fechou um acordo com a UE que concedeu "status especial" aos britânicos para evitar a saída do bloco. O acordo restringe os direitos de imigrantes europeus que trabalham no país, e só depois de quatro anos de contribuição à Previdência eles poderão ter uma complementação, paga a trabalhadores de baixa renda.
Cameron também ganhou a queda de braço com o presidente da França, François Hollande, sobre o poder britânico para impedir que regulações europeias afetassem a City de Londres, o mercado financeiro que responde por 14% do PIB britânico. A City continuará a ser controlada pelo Banco da Inglaterra, o banco central do país.
Diante das concessões feitas pela UE, Cameron pediu aos britânicos que votem a favor da manutenção do país no bloco, por considerar que o Reino Unido já obteve as garantias que queria.
Mas ministros de seu gabinete já declararam apoio ao Brexit, além de políticos importantes, como o prefeito de Londres, Boris Johnson. A polêmica em torno do apoio ou não da rainha deve trazer ainda mais incerteza em torno do resultado da votação.
Segundo as últimas pesquisas de opinião, há uma leve vantagem para o "sim" à permanência, com 51% das intenções, ante 49% do "não".
