Agência da ONU para refugiados se diz preocupada com acordo UE-Turquia
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Filippo Grandi, declarou nesta terça-feira (8) que o órgão está "profundamente preocupado" com o acordo sobre migrantes esboçado na segunda-feira entre a Turquia e a União Europeia.
O acordo prevê reenviar à Turquia todos os migrantes apanhados no mar Egeu -que separa a Turquia da Europa- ou que já chegaram à Grécia, mas ainda não fizeram pedido de asilo no país.
Em troca, a UE aceitaria milhares de refugiados sírios, levando-os à Europa por caminhos seguros, sem que precisem fazer travessias de barcos perigosos e sem ficar à mercê de traficantes.
Para cada migrante que for apanhado no mar Egeu, a UE se comprometerá a receber um pedido de asilo de um refugiado de acampamentos turcos.
Na prática, seria uma troca de um "ilegal" por um "legal" que já esteja na Turquia.
"Estou profundamente preocupado com qualquer acordo que envolva o envio indiscriminado de pessoas de um país para outro, sem levar em conta as garantias de proteção aos refugiados previstas no direito internacional", disse Grandi no Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França).
NO CAMINHO CERTO
Nesta terça, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que "as coisas estavam se movendo na direção" certa após a UE aprovar o rascunho do acordo com a Turquia para conter o fluxo de migrantes para a Europa -uma questão fundamental para os alemães, que votarão em eleições estaduais no domingo (13).
O acordo é um sinal importante de progresso para Merkel, que luta contra a resistência interna para obter um plano europeu para combater uma crise que levou mais de 1 milhão de migrantes para a Alemanha no ano passado.
"No geral, as coisas estão indo na direção certa", disse Merkel em entrevista à rádio SWR, tentando amenizar as preocupações de que a Turquia estaria chantageando a Europa. "Não. Nós estamos buscando um equilíbrio de interesses", disse a chanceler.
Os líderes da UE gostaram da oferta da Turquia de receber de volta os migrantes que atravessam a Europa e concordaram, em princípio, com outras demandas turcas.
Mas o acordo só será decidido em 17 e 18 de março.
"Finalmente há passos concretos no sentido de uma política comum europeia para os refugiados", disse Sigmar Gabriel, líder dos social-democratas (SPD), parceiro menor na coalizão de governo de Angela Merkel.
A CDU, de Merkel, e o SPD perderam apoio em alguns Estados.
