Turquia condiciona contenção de refugiados a avanço de ingresso na UE
JULIANO MACHADO
BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - A Turquia aceita contribuir mais para conter o fluxo de refugiados que chegam à União Europeia, desde que o bloco aceite novas condições sugeridas pelo governo de Ancara durante a cúpula extraordinária sobre o tema nesta segunda-feira (7), em Bruxelas.
O governo turco disse que se compromete a levar de volta para seu território refugiados que sejam recolhidos de barcos em ilhas gregas -ou seja, já em domínio europeu- e a reforçar o combate a traficantes que fazem a travessia ilegal. Mas, em contrapartida, quer mais dinheiro da UE, avanço nas negociações do ingresso da Turquia no bloco (hoje são 28 membros) e facilidade de cidadãos turcos obterem visto em países europeus.
A princípio, a UE estaria disposta a satisfazer as condições turcas. Em novembro, durante outra cúpula, o bloco acertou a criação de um fundo de 3 bilhões de euros (R$ 12,4 bilhões) destinado a dar assistência aos cerca de 2,5 milhões de refugiados em acampamentos turcos. Agora, a Turquia teria exigido que esse valor fosse dobrado. De Ancara, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que não foi à cúpula, cobrou os 3 bilhões de euros iniciais. "Já faz quatro meses e eles ainda não transferiram o dinheiro."
As conversas para a entrada da Turquia na UE, que se arrastam desde 2005, seriam agilizadas. Em dezembro, o bloco afirmou que estudaria o processo turco nas áreas de economia e política monetária, dois temas sensíveis. Até o fim de março, a UE examinaria mais temas.
Antes da reunião de líderes, o premiê turco, Ahmet Davutoglu, disse que este encontro poderia ser um ponto de inflexão nas relações europeias com Ancara. Apesar das críticas de autoridades da UE à tomada de controle do jornal opositor "Zaman" pelo governo turco, na última sexta-feira (4), o presidente francês, François Hollande, deixou claro que isso não deveria interferir no diálogo sobre refugiados.
A terceira exigência de Ancara é que a UE deixe de fazer uma investigação adicional de informações para conceder vistos de viagem a cidadãos turcos. A maior comunidade turca na Europa está na Alemanha, com 1,55 milhão de pessoas com cidadania daquele país.
LONGO ENCONTRO
A cúpula, que deveria ter sido encerrada à tarde, deve se estender pela noite para que os líderes europeus discutam o novo cenário sugerido pela Turquia.
Outro ponto de discussão é se o documento final fará menção ou não ao "fechamento" da rota dos Bálcãs, a principal via de acesso dos refugiados à Europa Central. Um rascunho do texto continha a expressão, defendida por Hollande. Mas Merkel e outros líderes criticaram seu uso, defendendo que não é este o momento para se determinar o fechamento de fronteiras.
