Acusado genocídio, ditador do Sudão participa de cúpula na Indonésia
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Indonésia defendeu nesta segunda-feira (7) a sua decisão de permitir que o presidente sudanês, Omar al-Bashir, suspeito de crime de guerra, viaje ao país para participar de uma cúpula de nações muçulmanas.
O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão para al-Bashir em 2009 e 2010 por causa do seu suposto envolvimento em crimes contra a humanidade, crimes de guerra específicos e genocídio.
As acusações são em relação às atrocidades relatadas no conflito em Darfur.
O porta-voz do Ministério do Exterior da Indonésia, Arrmanatha Nasir, disse que o país não é um Estado membro do TPI e não tem nenhum mecanismo legal ou obrigação para prender al-Bashir.
"É uma questão entre ele e o TPI, não é uma questão da Indonésia", afirmou Nasir.
A Embaixada dos EUA em Jacarta disse estar preocupada com a viagem de Bashir à Indonésia para uma reunião da Organização de Cooperação Islâmica.
Assim como a Indonésia, os EUA não fazem parte do Estatuto de Roma, tratado que criou o TPI.
A embaixada americana informou em um comunicado que os EUA apoiam firmemente os esforços do TPI para julgar os responsáveis por crimes contra a humanidade em Darfur.
A Indonésia prometeu ratificar o Estatuto de Roma, mas há uma contínua oposição política, em parte porque atrocidades cometidas no passado por militares indonésios podem levar esses casos aoTPI.
No ano passado, Bashir cancelou uma viagem para uma conferência sobre a Ásia e a África em Jacarta após protestos de grupos de direitos humanos.
