Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Geral
publicidade
GERAL

Atual campeã Beija-Flor e sátira da Mocidade se destacam no Rio

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

ÁLVARO COSTA E SILVA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Apostar no que está dando certo -um desfile tecnicamente perfeito- ou na ousadia da sátira política. Entre as duas opções, Beija-Flor de Nilópolis e Mocidade Independente de Padre Miguel dividiram a preferência do público no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Rio. Correndo por fora, Grande Rio e Unidos da Tijuca fizeram apresentações corretas, mas sem empolgar o Sambódromo.
Sob o comando de Laíla, que chefia um grupo com mais seis carnavalescos, a Beija-Flor conseguiu, nos últimos dez anos, quatro campeonatos -é atual campeã- e dois segundo lugares. Há um consenso: quem quiser ganhar, terá de ganhar da Beija-Flor, que fez um desfile de impressionante harmonia, carros alegóricos espetaculares e animação por parte dos componentes (não das arquibancadas).
A escola escolheu um enredo que, incrivelmente, continuava inédito: homenagear o marquês de Sapucaí, que dá nome à avenida onde o Sambódromo foi construído. Com alguns exageros carnavalescos -no título do enredo, o político Cândido José de Araújo Viana (1793-1875) é chamada de ?poeta imortal?- contou uma história que vai de Nova Lima (MG), onde nasceu o figurão, à Universidade de Coimbra, em Portugal, passando por sua influência junto a dom Pedro 2º e princesa Isabel.
Houve certo abuso na cor dourada, principalmente nos primeiros carros que retrataram o barroco mineiro. No mais, a costumeira competência de uma escola que parece se apresentar pensando sobretudo nas notas dos julgadores. Chamou a atenção o fôlego e a resistência do intérprete Neguinho da Beija-Flor, que está completando 40 anos de carreira e mais parece um menino. Sua passagem, no alto do carro de som, foi ovacionada, a puxar o forte refrão do samba-enredo.
Sem vencer desde 1996 e amargando algumas péssimas colocações no período de jejum, a Mocidade resolveu meter o dedo na ferida da crise política. Para conduzir o enredo desenvolvido por Alexandre Louzada, a figura de Dom Quixote. Logo na comissão de frente, um moinho de vento transformou-se em torre de petróleo, em torno da qual dançavam corruptos sem rosto. O abre-alas trouxe um Quixote gigantesco, retratado numa escultura de 18 metros, a maior da noite e dos últimos tempos na Sapucaí.
Em seguida, no carro em que apareceu mais uma enorme escultura, esta de Sancho Pança, ratos de colarinho e gravata saíram de dentro de um queijo suíço sobrevoado por moscas, simbolizando os escândalos recentes do país.
A cantora Anitta veio sambando no chão, à frente de um carro em forma de tanque, uma referência (meio perdida no contexto) à ditadura militar. A Mocidade não economizou no número de integrantes -quatro mil, o máximo permitido pelo regulamento-, e um dos sete carros teve um problema na dispersão. A evolução, que já apresentava algumas misturas entre as alas, complicou-se ainda mais.
A Grande Rio -cujo enredo propôs um passeio por Santos, a cidade do litoral paulista- surpreendeu na comissão de frente, com um Pelé ?criança? e o surgimento de uma enorme bola, em cima da qual ?outro? Pelé apareceu vestindo a camisa 10 da seleção brasileira -o ?original? não pôde desfilar por recomendação médica. Neymar, que disputa o Campeonato Espanhol pelo Barcelona, também não veio. Dando (como sempre) exagerado destaque a celebridades da televisão, a escola de Duque de Caxias fez um desfile seguro, mas burocrático.
O tema da Unidos da Tijuca era difícil: a terra. Disfarçado no enredo, uma ?homenagem? em busca de patrocínio: a cidade-símbolo escolhida foi Sorriso (MT), considerada a capital nacional da soja. Mas a escola, com a força dos três títulos conquistados (2010, 2012 e 2014), esteve muito bem. Destaque para o carro abre-alas, que mostrou a criação do homem, com os componentes cobertos de barro. A bateria foi outro ponto alto. Como a Beija-Flor, a Tijuca briga com o regulamento embaixo do braço. Desfila sem ousadia: seu negócio é não perder pontos.
De volta à elite, a tradicional Estácio de Sá abriu a noite de desfiles confiando na força de São Jorge para permanecer no Grupo Especial, do qual saiu em 2007. Fez uma apresentação bonita, cujo maior mérito foi saber contar a história do santo. Ponto para o carnavalesco Chico Spinoza, que dirigiu a escola no título de 1992.
A maior decepção foi a União da Ilha. Pegando carona na Olimpíada (mesmo sem receber verba extra da prefeitura), fez com que os deuses gregos visitassem o Rio. A proposta de fazer humor não funcionou, e o público mais ficou confuso do que se divertiu. Candidata ao rebaixamento.
A ver se a velha máxima -?a campeã sempre sai na segunda?- se confirma. Hoje desfilam uma favorita, Salgueiro, e duas escolas de torcidas apaixonadas: Portela e Mangueira.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV