Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Geral
publicidade
GERAL

No primeiro encontro cara a cara, Hillary e Sanders têm debate tenso

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

MARCELO NINIO
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Depois meses como franca favorita na corrida democrata à Casa Branca, Hillary Clinton experimentou pela primeira vez o desconforto de sair atrás do placar. Sua reação foi jogar no contra-ataque.
No debate travado nesta quinta (4) em New Hampshire, seu oponente, o senador Bernie Sanders, levou a melhor na maior parte, batendo na tecla de sempre, a desigualdade econômica. Hillary teve vantagem quando a discussão foi sobre política externa, onde tem mais experiência.
Foi o primeiro debate cara a cara entre os dois, e de longe o mais intenso. Com a desistência do ex-governador Martin O`Malley, a disputa virou um duelo de titãs.
De um lado, Hillary, há duas décadas sob o olhar público, com a experiência de primeira-dama, senadora e secretária de Estado.
De outro, Bernie Sanders, político com mais de 30 anos de estrada, como prefeito, deputado e senador, que despontou como um fenômeno de popularidade, principalmente entre os jovens.
O debate foi o último antes da primária de New Hampshire, na terça-feira (9), o segundo teste das urnas para os pré-candidatos. No primeiro, na prévia de Iowa, Hillary saiu vitoriosa por uma margem minúscula.
Em New Hampshire, a ex-secretária de Estado briga para perder de pouco: as pesquisas dão entre 13 e 30 pontos percentuais de vantagem para Sanders, que é beneficiado por estar quase em casa, já que construiu sua carreira política no Estado vizinho de Vermont.
O ponto mais tenso do debate foi quando Hillary defendeu-se da insistência de Sanders em afirmar que ela não podia ser considerada progressista porque recebeu cachês e doações de Wall Street. A crítica aos excessos do mercado financeiro e o distorções do financiamento de campanha são os carros-chefe da campanha de Sanders.
"Já basta. Se você tem algo a dizer, diga diretamente", disparou Hillary, afirmando que jamais mudara de posição ou voto por causa de doações. "É hora de parar à astuta difamação que você e sua campanha vem conduzindo". Surpreso, Sanders arregalou os olhos e balançou a cabeça: "Uuuu...".
Mas a ex-secretária de Estado ficou numa saia justa quando o mediador quis saber se ela estaria disposta a divulgar a transcrição das palestras que deu no banco de investimento Goldman Sachs, por polpudos cachês. "Vou dar uma olhada nisso. Não sei o status", disse, sem muita convicção.
Com a credibilidade arranhada devido ao uso de um servidor privado para mandar emails de trabalho quando era secretária de Estado, Hillary corre o risco de cair em mais uma polêmica.
Centrada em temas domésticos e credenciais ideológicas, a primeira parte do debate favoreceu o veterano senador.
Sanders mostrou porque tornou-se um páreo duro para Hillary, com seu discurso consistente e extremamente focado, baseado em ataques à concentração de riqueza nos EUA e na defesa de direitos como sistema universal de saúde e ensino universitário gratuito.
E ele faz questão de dar nomes em suas acusações. O mais citado é o banco de investimento Goldman Sachs, segundo ele um exemplo de como a fraude tornou-se o "modelo de negócios" de Wall Street.
"O Goldman Sachs foi uma das empresas cuja atividade ilegal ajudou a destruir a economia e arruinar a vida de milhões de americanos", disse, em referência à crise global do subprime, em 2008.
Diante de Sanders não estava mais a Hillary confiante e e até brincalhona dos primeiros debates, quando liderava a corrida com folga. Neste primeiro duelo cara a cara com Sanders, Hillary deixou sua zona de conforto, mostrou nervosismo e chegou a gaguejar, algo raro para ela.
O discurso de Sanders empurrou Hillary para a esquerda. Ela também criticou Wall Street e deu nomes de empresas que haviam sido salvas por resgates do governo e agora não pagam imposto.
De modo geral, a ex-secretária de Estado buscou se firmar como a candidata viável e pragmática, "uma progressista que faz as coisas acontecerem", em contraste com a "revolução política" pregada pelo rival.
"Estou lutando por pessoas que não podem esperar por essas mudanças, e eu não faço promessas que não posso cumprir", disse.
POLÍTICA EXTERNA
Quando o assunto passou a ser política externa, Hillary empatou o jogo. Sanders foi questionado porque quase não falava do tema em sua campanha.
O senador respondeu lembrando que votou contra a invasão do Iraque no Congresso, ao contrário de Hillary, e disse que os EUA não podem ser a polícia do mundo.
"Eu diria que a principal doutrina de um governo Sanders seria que não podemos continuar a fazer isso sozinhos. Precisamos trabalhar numa coalizão".
Mas se atrapalhou e não respondeu se maneria os atuais dez mil soldados americanos no Afeganistão e foi questionado por Hillary sobre seu preparo e experiência em assuntos internacionais.
"Pela minha experiência, é preciso estar pronto desde o primeiro dia. Há perigos e ameaças imprevisíveis demais hoje no mundo, você sabe, para dizer apenas, eu vejo isso quando puder. Isso simplesmente não é uma atitude aceitável".
Sanders reconheceu que Hillary tem mais currículo que ele em política externa, mas disse que muitas vezes ter julgamento é mais importante que ter experiência.
E voltou a lembrar que, ao contrário da oponente, votou contra a guerra no Iraque, "que criou organizações bárbaras como o Estado Islâmico".

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV