Parque radical da Rio-2016 vira piscinão popular para os sem-praia
FELIPE DE OLIVEIRA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Se a canoagem slalom, esporte olímpico disputado em corredeiras artificiais, não é exatamente um ímã para torcedores no Brasil -foi um dos esportes com menor procura de ingressos na Rio-2016-, seu "campo de jogo" vem se provando extremamente popular entre os moradores dos arredores do Complexo Esportivo de Deodoro, na zona oeste do Rio.
Aberto à população no último dia 23, o lago artificial que faz parte do circuito de canoagem slalom, com 13.050 m2 e três níveis de profundidade (1,95m, 1,20m, 0,45m), se tornou um point tão disputado quanto o Piscinão de Ramos, numa área carente de refresco -a praia balneável mais próxima está a cerca de 30 km.
"Foi como uma medalha de ouro para a população", diz o engenheiro Carlos César, 51, que mora próximo ao parque e visitava o lugar pela primeira vez nesta quarta-feira (30), dia em que a sensação térmica do Rio ultrapassou os 43º C. "Nossa região é carente de áreas de lazer e em pleno período de férias foi uma ótima solução para nossas crianças."
Inaugurado no dia 23, o piscinão da Rio-2016 funciona de quarta-feira a domingo, das 8h às 18h, com entrada gratuita e capacidade para até 3.000 pessoas por dia. Ele ficará aberto para a população até 1º de março de 2016 e, a partir daí, dedicado exclusivamente aos Jogos.
O clima no local lembra o de um clube -além do lago artificial, há chuveiros, espreguiçadeiras, boias e ombrelones. "Até um mês atrás, tínhamos que ir até a Barra para ter algo de lazer. Com essa estrutura aqui, será bem melhor", diz Alcinda Gomes, 67. "Gostei muito do local principalmente por ter várias famílias e ser um ambiente tranquilo."
Apesar dos elogios, o parque ainda precisa de ajustes -a reportagem presenciou diversos bebedouros sem funcionamento e outros que nem foram instalados ainda; apenas parte dos banheiros está funcionando e, em alguns lugares, o piso ainda está sendo instalado.
Usuários também reclamam da falta de áreas cobertas no local; algumas pessoas chegavam a retirar os guarda-sóis da área de mesas para colocá-los próximos a água. Com o forte vento, eles chegavam a voar e atingir pessoas que estavam no lago.
O local também possui poucas opções de alimentação. Há apenas uma barraca credenciada que faz a venda de espetinhos e bebidas. Com isso, os visitantes improvisam, levando sanduíches e isopores com bebidas e picolés.
Os problemas são considerados detalhes pela maioria dos frequentadores ouvidos pela reportagem -o receio deles é quanto ao futuro. "O lugar está ótimo, mas até quando?", questionou a estudante Fernanda Soares, 19. "Falaram que a região será transformada em parque, mas as pessoas precisam cuidar e, principalmente, cobrar que o governo faça a manutenção. É caro manter um lugar como esse. Vamos torcer para não esquecerem de nós."
Para ajudar na manutenção do local a todo instantes funcionários da administração do parque pedem com uso de alto-falantes que as famílias não entrem na região da "piscina" com alimentos e bebidas. O funcionário chega a alertar que esses objetos podem ser sugados pelo filtro e impedindo a circulação de água, alertando que caso ocorra, o local teria que ser esvaziado para limpeza.
A Prefeitura do Rio não divulgou o custo do circuito de canoagem slalom -apenas a lista de materiais especiais para a obra consumiu cerca de R$ 20 milhões.
O circuito faz parte do Parque Radical de Deodoro, que inclui ainda as pistas de ciclismo BMX e Mountain Bike. O parque, por sua vez, é uma das áreas do Complexo Esportivo de Deodoro.
De acordo com a prefeitura, após a Rio-2016 o local se transformará numa área de lazer -a segunda maior da cidade, atrás apenas do Parque do Flamengo -e terá uso compartilhado com as modalidades de canoagem slalom e ciclismo BMX.
