Família de Alan, símbolo de crise dos refugiados sírios, chega ao Canadá
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A família de Alan Kurdi chegou nesta segunda-feira (28) ao Canadá para morar com parentes estabelecidos no país há anos. O menino sírio morreu afogado nas praias da Turquia quando a família fazia a perigosa travessia pelo mar para fugir do país em guerra civil. A foto de seu corpo na areia se transformou no símbolo da crise dos refugiados.
A imprensa canadense registrou os gritos de alegria e os abraços dos familiares. Tima Kurdi, tia de Alan que mora no Canadá desde 1992, recebeu às lágrimas o irmão Mohamed, outro tio do menino, sua mulher Ghousun e os três filhos do casal no aeroporto.
"Obrigada aos canadenses e obrigada ao nosso primeiro-ministro [Justin] Trudeau por abrir a porta e por mostrar ao mundo como todos deveriam receber os refugiados e salvar vidas", disse Tima.
A família de Alan vivia em Damasco, a capital da Síria, mas a intensificação do conflito civil no país os fez partir -primeiro para Aleppo, e posteriormente para Kobani, cidade sitiada pelo grupo radical Estado Islâmico e de onde viajaram para a Turquia, para depois tentar chegar à Grécia.
Alan, de 3 anos, morreu quando tentava chegar à Europa junto com seu irmão Galip, 5, e a mãe, Rehan. Seus corpos foram encontrados na praia turca de Bodrum após o naufrágio do bote no qual viajavam.
A imagem do corpo do menino deu a volta ao mundo e se transformou em um símbolo da tragédia dos refugiados sírios que escapam da guerra em seu país e tentam chegar à Europa.
O governo canadense recebeu duras críticas no último ano pela lentidão com a qual está processando os pedidos de asilo de refugiados sírios. O pai de Alan, Abdullah Kurdi, o único integrante da família que sobreviveu à tragédia, não quis ir ao Canadá.
Em resposta às críticas, o Canadá se comprometeu a aceitar mais refugiados sírios e o novo primeiro-ministro do país, Justin Trudeau, prometeu pôr em prática uma política mais aberta que a de seu antecessor, o conservador Stephen Harper.
Contudo, devido às dificuldades logísticas e administrativas, o novo governo canadense reconheceu, antes do Natal, que a meta de acolher 10 mil refugiados sírios até o final do ano deveria ser adiada. Ao todo, espera-se a chegada de 25 mil sírios ao país até o final de fevereiro. A maioria é "apadrinhada" por familiares e organizações beneficentes.
