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Justiça condena dois ex-secretários de Kirchner por acidente de trem

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça da Argentina condenou nesta terça-feira (29) a penas de até nove anos para 21 dos acusados por um acidente de trem ocorrido em 2012, em Buenos Aires, que deixou 51 mortos e 789 feridos. Entre os condenados estão dois ex-secretários do governo de Cristina Kirchner.
Em 22 de fevereiro de 2012, um trem com 1.200 passageiros da linha Sarmiento, que une a periferia oeste ao bairro do Once da capital, se chocou contra uma plataforma em plena hora do rush, na estação Once, em um episódio que abalou o país.
O Tribunal Oral Federal concluiu que o serviço da linha acidentada era prestado com "graves deficiências" por parte da empresa concessionária e que os funcionários da área de Transporte não tinham tomado nenhuma medida a esse respeito.
Os ex-secretários de Transporte Ricardo Jaime (2003-2008) e Juan Pablo Schiavi (2008-2012) foram condenados a seis anos e oito anos de prisão, respectivamente, por sua responsabilidade no acidente.
Além disso, no veredicto foi solicitada uma investigação sobre Julio de Vido, que foi ministro do Planejamento sob os governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015), por estar a cargo da pasta que manejava a área de Transporte.
Claudio Cirigliano, diretor da empresa Trens de Buenos Aires (TBA), que tinha a concessão da linha Sarmiento, à qual pertencia o trem envolvido no acidente, recebeu uma pena de nove anos de prisão, a mais dura de todas.
Além disso, quase dez diretores da TBA receberam penas de entre quatro e oito anos de prisão. Mario Cirigliano, irmão de Claudio, foi absolvido, assim como outros seis acusados.
O tribunal também estabeleceu uma pena de três anos e seis meses de prisão para o maquinista Marcos Córdoba, que conduzia o trem.
Os fundamentos da sentença serão detalhados no próximo dia 30 de março. Como a decisão é de primeira instância, cabe recurso e ninguém foi preso.
O promotor argentino Fernando Arrigo pediu, contudo, a detenção imediata do ex-secretário Jaime devido a risco de fuga diante de seu "poderio econômico e contatos no exterior". Arrigo também pediu a detenção de Claudio Cirigliano.

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