Polícia do Rio prende miliciano suspeito de ataque à Cidade de Deus
FELIPE DE OLIVEIRA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Agentes da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais) prenderam, na tarde desta terça-feira (29), no Rio, o miliciano Pedro Alves de Castro Filho.
Segundo a polícia, Castro Filho confessou ter participado do tiroteio ocorrido na noite do dia 23 de dezembro, na Cidade de Deus (zona oeste do Rio), no qual morreram uma criança e um adolescente. Ele foi detido no bairro de Vargem Pequena, também na zona oeste, e portava uma pistola, que foi apreendida.
O miliciano foi autuado por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Em seguida, será ouvido na Divisão de Homicídios da Capital, que investiga as mortes.
Ainda segundo a polícia, o suspeito - que atuava na região do bairro da Gardênia Azul - revelou que o tiroteio que vitimou dois inocentes foi uma retaliação à ação de traficantes da Cidade de Deus no bairro dominado pelo miliciano.
TIROTEIO
De acordo com testemunhas, por volta das 20h do dia 23, pelo menos três homens chegaram à Cidade de Deus realizando uma série de disparos. Houve correria entre os moradores que estavam nas ruas. Marcos Vinícius da Costa, que cursava o 3º ano do ensino fundamental e ajudava o pai numa barraca de frutas, foi baleado no peito.
Um outro menor, de 17 anos, também foi baleado na ocasião e morreu. O tiroteio atingiu duas outras vítimas inocentes: Juciara da Costa, 42, e Joaquim Cândido da Silva, 9.
Revoltados com a situação, os moradores foram para as ruas naquela noite e colocaram fogo em lixo que estava espalhado nas calçadas. Duas vias foram fechadas por cerca de 3h e só foram desobstruídas com a chegada dos PMs.
Conhecida no Brasil e no exterior após o filme homônimo lançado em 2002 pelo cineasta Fernando Meirelles, a Cidade de Deus está ocupada por uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) desde 2009.
