Grupo rebelde sírio nomeia novo líder após morte de comandante
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Grupos militantes que lutam contra Bashar al-Assad na Síria lamentaram neste sábado (26) a morte de um importante líder rebelde assassinado na sexta por um ataque aéreo nos arredores de Damasco, mas prometeram continuar a luta contra o regime de Bashar al-Assad e o grupo Estado Islâmico.
Zahran Allouch, chefe do grupo Jaysh al Islam, foi assassinado durante um bombardeio a um quartel-general na sexta (25). Ele foi morto junto com outros comandantes de grupos ultraconservadores.
O Jaysh al Islam, que tem milhares de combatentes treinados, é visto como o maior e mais bem organizado grupo rebelde.
Essam al-Buwaydhani, comandante de campo conhecido como Abu Hammam, foi apontado como o novo líder, no lugar de Allouch.
Em um vídeo postado na internet, um porta voz do Jaysh al Islam disse que a morte de Allouch "irá apenas fortalecer nossa luta". O grupo combate o Estado Islâmico e o governo de Bashar al-Assad.
A frente Al-Nusra, que também combate Assad, disse em comunicado que Allouch morreu após anos de sacrifício e desejou sorte ao seu sucessor.
O governo sírio assumiu a autoria do bombardeio que matou Allouch, mas muitos opositores acreditam que a verdadeira culpada foi a Rússia, que tem combatido grupos contrários a Assad.
"A morte de Allouch deve ser um ponto de virada na história da revolução e grupos rebeldes devem entender que eles estão enfrentando uma guerra de extermínio realizada pelo governo [do presidente russo Vladiimir] Putin", disse Labib Nahhas, membro do grupo Ahrar al-Sham.
O grupo Jaysh al Islam participou no começo de dezembro de um encontro entre opositores de Assad na Arábia Saudita para criar uma delegação para participar de conversas de paz com o regime de Assad marcadas para janeiro em Genebra, na Suíça. No entanto, o governo sírio descreve o grupo como "terroristas" e disse que não irá negociar com as facções.
A morte de Allouch pode ter contribuído para o adiamento da retirada de milhares de militantes e de suas famílias da margem sul de Damasco.
A retirada, prevista para começar no sábado, envolvia principalmente integrantes do Estado Islâmico que neste ano invadiram a área de Yarmouk, onde há um campo de refugiados palestinos.
Um oficial palestino em Damasco disse à agência Associated Press que a retirada foi adiada por "razões logísticas". No entanto, a TV Al Manar, controlada pelo grupo libanês Hizbullah, informou que o atraso se deve à morte de Allouch.
Apoiado pela Arábia Saudita e pela Turquia, Allouch era acusado de usar táticas brutais, como prender prisioneiros em gaiolas e exibi-los em áreas públicas para tentar dissuadir seus rivais a realizar ataques aéreos.
