Programa televiso kirchnerista ganha curta sobrevida sob Macri
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Ganhou sobrevida curta o programa televiso kirchnerista "678".
O novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, havia dito que tiraria a atração do ar. E a expectativa era que o programa deixaria a grade da TV Pública argentina logo após a posse do político, no último dia 10 de dezembro.
Mas o "678" seguiu sendo exibido, assumindo, porém, um tom de despedida e protesto a cada dia de exibição.
Nesta quarta (23), foi o último dia da atração. A produtora Pensado para Televisão, responsável pela atração, decidiu não renovar o contrato com a TV Pública.
Ainda não se sabe se o "678" poderia migrar para outro canal, como o C5N -cujo dono, o empresário Cristóbal López, comprou a produtora em abril deste ano.
O "678" foi criado em 2009, no primeiro mandato de Cristina Kirchner, e transformou-se em um dos principais espaços midiáticos frequentados por políticos, intelectuais e jornalistas simpáticos ao governo.
Seus informes misturam trechos de entrevistas antigas e recentes de políticos argentinos, para tentar mostrar suas eventuais contradições. "Crítica ao poder real" é o que promete o programa.
Durante a campanha eleitoral, o "678" explorou ao limite a mudança de opinião de Macri sobre a estatização da Aerolineas Argentinas e YPF. Na eleição, ele era a favor da estatização, mas no passado havia sido contra.
Logo depois de eleito, Macri avisou que tiraria o programa do ar. Seu secretário nacional de meios públicos, Hernán Lombardi, justificou a decisão, dizendo que o programa era agressivo.
Desde então, os seis jornalistas que fazem parte da bancada do "678" assumiram um discurso de despedida e protesto contra Macri, a quem acusam de censura.
'CEO FASCISMO'
Em seu último dia de exibição no canal 7, o apresentador Jorge Dório anunciou a data como "o futuro aniversário do último dia do 678", antevendo a mítica que tentará criar os kirchneristas em torno da atração.
Os jornalistas já preparam uma versão "desplugada" do programa, no próximo domingo (27) em uma praça em Buenos Aires.
O herdeiro de Néstor e Cristina Kirchner foi a atração principal do "678" em sua despedida. Máximo, eleito deputado pela província de Santa Cruz, não decepcionou.
Disse que o governo Macri tenta derrubar a Lei de Mídia, para "devolver favores a [Héctor] Magnetto", acionista do Clarín.
"Alguns falam em neofascismo, mas acredito que o governo de Macri seja um CEO fascismo", disse, fazendo menção à preferência do presidente por empresários e executivos em postos de confiança.
RUMORES
Nos últimos dias, o "678" havia se transformado em um cavalo de batalha entre macristas e kirchneristas, que convocaram um protesto e gritavam "Macri basura, vos sos a dictadura [Macri, lixo, você é a ditadura]".
Com a decisão de romper o contrato, a produtora poupa Macri do desgaste de encerrar o programa unilateralmente e atende ao objetivo do presidente, de tirar o "678" do ar.
Segundo reportagem publicada na semana passada no "La Nación", o "678", hoje diário, poderia ganhar uma versão semanal na TV, em um canal privado, para atender aos telespectadores kirchneristas que ficarão órfãos da atração.
Para bancar o programa, a TV Pública pagava, segundo o jornal, 2,5 milhões de pesos por mês (cerca de R$ 625 mil) à Pensado para televisão.
