Rio espera normalizar situação de hospitais nos próximos dias
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio a um colapso na área de saúde que interrompeu até o atendimento de emergência em hospitais estaduais do Rio, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) afirmou, na manhã desta quinta (24), que Organizações Sociais (OS) que administram essas unidades hospitalares já começaram a receber e pagar médicos e enfermeiros.
O governador ainda recebeu do governo federal 300 mil itens, como luvas, agulhas e próteses ortopédicas, avaliados em R$ 20 milhões. O material será encaminhado a três hospitais para que as emergências se mantenham abertas.
Na quarta (23), o prefeito Eduardo Paes já havia anunciado que a Prefeitura do Rio emprestaria R$ 100 milhões aos hospitais estaduais Rocha Faria e Albert Schweitzer, na zona oeste da cidade. Nesta manhã de quinta, a emergência do Albert Schweitzer reabriu. Estava fechada há uma semana. O governador Pezão decretou estado de emergência na saúde pública do Rio.
"A gente espera neste final de semana e a partir da próxima, normalizar os pagamentos. Claro que não é o ideal, mas o mínimo que pediram para a rede funcionar, nós conseguimos ir além do que eles nos pediram", afirmou o governador durante a cerimônia em que recebeu os produtos do governo federal, no Hospital da Lagoa, zona sul do Rio.
A expectativa do governador é que em 10 de janeiro, o Estado do Rio receba mais R$ 90 milhões em repasses do governo federal. Com repasses e empréstimo da Prefeitura do Rio, o governo estadual já conseguiu R$ 297 milhões para tentar amenizar a crise. A dívida com fornecedores da área de saúde chega a R$ 1,4 bilhão.
"O Rio é o Estado com a pior situação econômica no Brasil. Tivemos queda na arrecadação de impostos, a crise na Petrobras e a queda no preço do barril de petróleo. Temos ainda uma inadimplência de R$ 7 bilhões com empresas que não pagam impostos", disse.
O futuro secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Júnior afirmou que é necessário "encontrar um novo modelo, que caiba dentro da realidade financeira do Estado". Ele assume a pasta no primeiro dia útil de janeiro.
Para Alberto Beltrame, representante do governo federal no gabinete de crise, criado pela presidente Dilma Rousseff para buscar uma solução para o Estado, a ajuda será com produtos e profissionais de saúde.
"Uma reestruturação é necessária. A regularização de uma rede complexa como esta não acontece da noite para o dia", afirmou Beltrame.
