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Agência aceita pedido da Sabesp e dificulta obtenção de bônus

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) acatou pedido da Sabesp e alterou o cálculo para obtenção de bônus na conta de água.
Além disso, prorrogou até o fim de 2016 a aplicação de multas nas tarifas para quem exceder as médias de consumo verificadas entre 2013 e 2014.
Agora, a média considerada para conseguir o desconto é de 78% da anterior. Assim, quem antes tinha como referência a economia sobre 10 mil litros de água, por exemplo, para ser recompensado com o bônus, terá como nova base de cálculo 7,8 mil litros.
As faixas de bonificação continuam valendo: recebe 10% de desconto na conta quem consumir entre 10% e 15% menos que a nova média; 20% quem economiza entre 15% e 20%; e 30% de abatimento aqueles que gastarem pelo menos 20% menos água.
Quanto às multas, consumidores que excederem até 20% da média seguirão sendo sobretaxados em 40% sobre o valor da tarifa. Quem tiver excesso maior terá acréscimo de 100% na conta.
Um dos motivos para a mudança na regra da bonificação seria o prejuízo de R$ 580 milhões no faturamento da Sabesp no terceiro trimestre.
TRABALHINHO ADICIONAL
Como disse o secretário estadual dos Recursos Hídricos, Benedito Braga, para que a população consiga o bônus será necessário um "trabalhinho adicional".
A adesão da população ao programa de bônus foi uma das condições dadas pelo presidente da Sabesp, Jerson Kelman, para que São Paulo não decretasse um rodízio (corte do fornecimento de água) em 2015. O programa de concessão de bônus foi criado em fevereiro de 2014. Já a sobretaxa, medida tida como mais impopular, só começou a vigorar em fevereiro de 2015, depois de Alckmin ter sido reeleito para governador no primeiro turno.
Alckmin chegou a ser criticado por instituir apenas uma política de bônus, que não fosse acompanhada pela punição a quem consumisse mais água. Em 2001, por exemplo, quando o país passou pela crise do setor elétrico, a população foi obrigada a reduzir o seu consumo, caso contrário, receberia uma taxa extra.
O bônus está em vigor nas seguintes cidades: São Paulo, Arujá, Barueri, Biritiba-Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Mairiporã, Mogi das Cruzes (bairros da divisa), Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Suzano, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista.
BALANÇO
As novas regras para concessão do bônus deverão aliviar as já apertadas contas da Sabesp. Embora a cúpula da estatal tenha evitado falar no impacto que o novo bônus deverá ter sobre o faturamento da empresa, em seu terceiro trimestre a Sabesp teve um prejuízo de R$ 580 milhões em seu faturamento. Essa é a primeira vez, desde o início da crise hídrica, em que a empresa fechou um trimestre no vermelho. Desse rombo, R$ 248,8 milhões foram só de concessão de bônus.
No primeiro e segundo trimestres deste ano, o lucro da empresa havia sido de R$ 477 milhões (50% maior do que na comparação com o ano anterior) e de R$ 302 milhões (queda de 10% em relação ao ano anterior), respectivamente.
De julho a setembro deste ano, entre os custos e despesas que aumentaram estão justamente os de construção, totalizando R$ 2,6 bilhões, o que é 10% maior do que no ano passado. Um dos principais gastos de uma empresa de saneamento, a energia elétrica, foi 40% maior do que há um ano.
A empresa também sofreu forte impacto cambial, já que grande parte de suas dívidas estão em moeda estrangeira, que se valorizaram frente ao real.
A saúde financeira da Sabesp foi fortemente impactada com a crise hídrica já que foi obrigada a diminuir o volume de água vendida para seus clientes. Em um ano, o volume de água vendido variou de 892 bilhões de litros para 841 bilhões de litros. Ou seja, agora, a empresa está vendendo ainda menos água do que há um ano, quando São Paulo já estava em grave crise.
Outro problema sobre o ponto de vista financeiro para a empresa é que o governo do Estado de São Paulo, que é o controlador da empresa, instituiu um programa de bônus aos clientes que economizassem água. Ou seja, além de vender menos água, a Sabesp passou a vendê-la com desconto para alguns. No meio do caminho, a Sabesp ainda conseguiu dois aumentos de tarifa, mas mesmo assim disse que os reajustes estão abaixo das expectativas da empresa para que saísse de seu "stress financeiro", como dizem os executivos da empresa.
Além disso, para poder contornar a crise, a empresa tem que contar com recursos próprios para investimentos em obras que estavam programadas para acontecer nos próximos anos. Feitas sob rito emergencial, as obras foram concentradas em um curto espaço de tempo e ficaram mais caras do que previstas.

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