Partidos de esquerda e direita tentam acordo para novo governo da Espanha
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro ministro espanhol interino, Mariano Rajoy, e o líder socialista do PSOE, Pedro Sánchez, se reuniram nesta quarta-feira para sondar a possibilidade de um acordo que permita a posse do líder conservador após a apertada vitória nas eleições de domingo (20).
O governante Partido Popular (PP, centro-direita) ganhou as eleições gerais na Espanha, mas as 123 cadeiras conquistadas não permitem que Rajoy seja mantido como líder do governo, por isso necessita do apoio de outros partidos. Em um parlamento fragmentado após o pleito, o PSOE ficou em segundo lugar com 90 cadeiras.
Essa circunstância dificulta bastante a formação do novo governo, e Rajoy e o líder socialista terão a oportunidade de debater pessoalmente os prós e contras das alternativas para a governabilidade.
Na segunda-feira passada, Rajoy prometeu à direção de seu partido "generosidade" para pactuar com outras formações e buscar um governo "estável" sempre que se defenda "a ordem constitucional" e a unidade da Espanha.
Sem citá-los expressamente, Rajoy sugeriu chegar a acordos com PSOE e o Cidadãos, de tendência liberal, e antecipou sua intenção de ficar em contato com os líderes dos partidos que entende que defendem esses princípios.
O PSOE já adiantou que não permitirá a posse de Rajoy, possibilidade que passa pela abstenção dos deputados do partido.
Os socialistas entendem que, como líder do partido mais votado, Rajoy deve tentar formar o governo, e não descartaram a possibilidade que, caso ele fracasse, Sánchez, líder do PSOE, tente formar um Executivo de esquerda.
Membros do PP informaram à Agência "Efe" que Rajoy também pretende se encontrar em breve com o presidente do Cidadãos, Albert Rivera. O Cidadãos é um dos partidos novatos que ganhou expressão no último pleito.
PACTO
Alberto Rivera, líder do partido Cidadãos, de direita, defendeu nesta quarta-feira a criação de um acordo com o PP e PSOE para criar um governo estável e proteger o país do risco de independência da Catalunha. A formação do novo governo local poderá levar grupos separatistas ao poder.
"Nós propomos um pacto entre PP e PSOE de modo que ninguém possa tirar vantagem da fraqueza, da incerteza e da instabilidade para separar esse pais", disse Rivera numa coletiva de imprensa em Madri.
