ATUALIZADA
LEANDRO MACHADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O corpo do bombeiro civil Ronaldo Pereira da Cruz, 39, que morreu ontem no incêndio no prédio da estação da Luz, foi enterrado na tarde desta terça-feira, no cemitério da Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo.
O caixão foi sepultado às 17h20 - exatamente 25 horas e 30 minutos depois do início do incêndio que destruiu o museu da língua portuguesa, que ficava na estação.
Ronaldo foi a única vítima do incêndio.
O enterro foi acompanhado por cerca de 50 bombeiros. Ao final, eles cantaram o hino dos bombeiros, com as mãos no peito - alguns choravam.
A mulher de Ronaldo, Rita de Cássia Cruz, 49, bastante emocionada, ficou ao lado do caixão o tempo todo, desde o velório.
Rita contou nesta manhã à reportagem que o marido era um apaixonado pela profissão e capaz de dar a vida pelas pessoas. Ele trabalhava havia seis anos como bombeiro, três deles como brigadista terceirizado no museu. Nesta segunda, Cruz ajudou os funcionários a deixarem o prédio. "Ele fazia o que gostava. Pode ter certeza, era com amor. Onde estiver agora está se sentindo com o dever cumprido", disse Rita.
Casado havia seis anos, o casal costumava trocar mensagens apaixonadas por um aplicativo de mensagens instantâneas várias vezes ao dia.
INCÊNDIO
O incêndio que destruiu parte do prédio da estação da Luz, patrimônio histórico na região central de São Paulo, devastou todo o Museu da Língua Portuguesa, um dos mais visitados da cidade e abrigado no local desde 2006.
Segundo os bombeiros, as chamas destruíram o segundo e terceiro andares do prédio, mas, em princípio, não afetaram a estrutura da estação de trem local - onde passam 200 mil pessoas ao dia. No local, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que irá reconstruir o museu.
O incêndio começou por volta das 15h50 desta segunda (21) e foi controlado duas horas e meia depois. Uma imensa nuvem de fumaça cinza se espalhou pelo centro da cidade, e o teto de madeira do prédio, restaurado no século passado, desabou.
Para conter as chamas, os bombeiros contaram com a ajuda da forte chuva que desabou à tarde na capital paulista. Como toda segunda-feira, o museu estava fechado ao público. Funcionários relataram que deixaram o prédio após ouvir o alarme de incêndio.
"O museu foi totalmente afetado, é uma tragédia", disse o secretário estadual de Cultura, Marcelo Araújo. Todo acervo do museu, porém, é digital e, segundo ele, conta com cópia de segurança -ainda não estimativa de prejuízo.
