Sobrinhos da primeira-dama da Venezuela negam tráfico de droga
SAMY ADGHIRNI
CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - Dois sobrinhos da influente primeira-dama da Venezuela, Cília Flores, detidos nos EUA por suspeita de narcotráfico, declararam-se inocentes nesta quinta-feira (17).
A próxima audiência foi marcada para 29 de fevereiro.
Efraín Antonio Campo Flores, 29, e Franqui Francisco Flores de Freitas, 30, estão sendo julgados por um tribunal de Nova York cinco semanas após terem sido detidos em Porto Príncipe por agentes haitianos que os entregaram à DEA, órgão norte-americano antidrogas.
Segundo a agência Reuters, os dois negociavam havia meses o envio de 800 kg de cocaína para os EUA através de uma ilha hondurenha. Entre os negociadores havia agentes da DEA infiltrados.
Ao serem interceptados, os acusados se identificaram imediatamente como sobrinhos da mulher do presidente Nicolás Maduro e tentaram -em vão- usar a imunidade garantida por seus passaportes diplomáticos.
Autoridades norte-americanas também estão prestes a acusar formalmente dois oficiais venezuelanos: o major general Néstor Reverol, comandante da Guarda Nacional Bolivariana e ex-chefe da agência antidrogas da Venezuela, e Edylberto Molina, ex-assessor de Reverol e atual adido militar na Alemanha.
Eles serão acusados de receber dinheiro de narcotraficantes para prejudicar investigações na Venezuela, país que se tornou uma das principais plataformas para o comércio mundial de cocaína.
Em comunicado, a Chancelaria de Caracas disse que as acusações são parte de uma campanha de "terrorismo judicial" orquestrada por Washington.
O aumento da pressão envolvendo suspeitas de narcotráfico no Estado venezuelano sucede a devastadora derrota do chavismo na eleição parlamentar de 6 de dezembro.
A oposição conquistou maioria qualificada de dois terços na Assembleia Nacional unicameral e, com isso, garantiu amplas prerrogativas para legislar e fiscalizar outros poderes.
O governo Maduro, porém, prometeu resistir por todos os meios à agenda parlamentar da nova legislatura, que toma posse em 5 de janeiro.
