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Pacientes ocupam Assembleia pela aprovação da "pílula anticâncer"

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ARTUR RODRIGUES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cerca de 100 pacientes com câncer e parentes ocuparam o plenário e impediram o início da sessão na Assembleia Legislativa de SP nesta quarta (16) para conseguir a liberação da fosfoetanolamina sintética, substância ainda em fase de testes que ficou conhecida como "pílula do anticâncer".
Liminares para obtenção do produto foram barradas pelo Tribunal de Justiça de SP, devido à falta de testes que comprovem a eficácia da substância em humanos.
Os pacientes decidiram ocupar o plenário após audiência pública para discussão de lei de autoria do deputado Rafael Silva ( PDT) que liberaria o uso da pílula aos pacientes após a assinatura de um termo de responsabilidade.
Entre os manifestantes, várias pessoas vieram de outros Estados.
Em tratamento de um câncer que afetou a medula, Alex Sandro de Vargas Garcia, 30, veio de Porto Alegre (RS). Ele também fez radioterapia, mas atribui à pílula a diminuição do tumor nas costas após dois meses usando a substância.
O médico havia lhe dado expectativa de um ano de vida, conta. "Perdi o movimento da perna direita e, após usar a 'fosfo', voltei a andar", diz ele.
A última pílula acabou há 10 dias e, por causa da decisão judicial, ele não pode renovar seu estoque.
Assim como Garcia, muitos pacientes que foram à assembleia foram desenganados pelos médico e veem nos remédios a única chance de cura.
A aposentada Regina Guerra Natividade, 60, resolveu contrariar sua oncologista e tomar a pílula após seguidos resultados ineficazes contra o câncer, que atingiu a mama, pulmão e intestino. "Vários amigos tiveram melhora", diz ela, que veio do Rio.
No fim da tarde de quarta, não havia previsão para que o grupo deixasse o local, apesar dos apelos de deputados que tentavam iniciar a sessão. O grupo queria garantias de que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) tentaria um acordo com o Tribunal de Justiça.
De acordo com o deputado Rafael Silva, o governo estadual representa o polo passivo de uma ação movida contra a Fazenda Pública de SP e a USP, que causou a suspensão da distribuição do produto. "Essa situação foi criada pela falta de sensibilidade do governador", disse o deputado.
Em novembro, Alckmin anunciou que pediria à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorização para que pessoas com câncer utilizem a substância fosfoetanolamina, nos casos em que os pacientes não demonstrem melhora em seus tratamentos.
Segundo o governador, o pedido seria para a liberação em regime compassivo - que abre exceção até aprovação do governo federal - por uma questão humanitária, permitida por lei em casos excepcionais. "O paciente não pode esperar anos e anos por uma aprovação", afirmou na ocasião.

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