Equipe de Macri tenta renegociar contratos de dólar do governo Cristina
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O novo governo da Argentina está tentando negociar um desconto no pagamento aos bancos que compraram contratos de dólar futuro durante a gestão de Cristina Kirchner.
Segundo a imprensa argentina, o presidente do Banco Central, Federico Sturzenegger, reuniu-se com representantes de bancos nesta sexta-feira (11) e anunciado que haveria um deságio nesses contratos.
A proposta teria sido recusada pelo setor financeiro. Oficialmente, o BC argentino não confirma a negociação.
Antes de assumir, a equipe de Macri entrou com uma ação judicial contra o ex-presidente do banco, Alejandro Vanoli, em que o acusa de vender contratos futuros com uma cotação do dólar muito abaixo do valor de mercado.
O novo governo considerava que a operação feita por seus antecessores daria prejuízo. Na época, Vanoli afirmou que as vendas foram feitas para estimular a queda do dólar no mercado à vista.
Ao apresentar os novos integrantes do Ministério da Fazenda, nesta sexta (11), o ministro Alfonso Prat-Gay confirmou que os contratos de dólar futuro "estão sob revisão", mas disse que ainda não há decisão tomada.
"Eu fiz uma denúncia contra os funcionários do Banco Central, porque isto foi uma de nossas heranças. Vamos analisar a questão a fundo para resolvê-la de uma maneira mais legal possível, mas ainda não há uma decisão."
O mercado futuro de dólar é operado por bancos, que administram os seus próprios recursos, mas também os recursos de empresas exportadoras e fazendeiros.
O governo deverá agir com cautela neste tema, pois precisa que estes agentes tragam dólares para o país, o que ajudaria a Argentina a sair da estagnação sem sofrer uma forte alta do dólar.
Uma das promessas de campanha de Macri é acabar com as restrições a importações e despesas em dólar —resultado da escassez de moeda forte na última etapa do kirchnerismo.
Pra-Gay reafirmou que a ideia é acabar com as restrições e unificar a taxa de câmbio -hoje são cinco-, mas evitou dar prazo. "Faremos quando seja o momento adequado, o mais rápido e o mais tranquilamente possível".
