Na Noruega, quarteto da Tunísia recebe o Prêmio Nobel da Paz
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Prêmio Nobel da Paz foi entregue nesta quinta-feira (10), na Suécia, ao Quarteto do Diálogo Nacional da Tunísia.
O grupo foi premiado por ter salvado a transição democrática na Tunísia por meio do diálogo, um método que os agraciados desejam ver aplicado na Síria e na Líbia.
"As armas, no final das contas, só levam à destruição", declarou à agência AFP Abdessatar Ben Moussa, presidente da Liga Tunisiana dos Direitos Humanos (LTDH).
"Na Líbia, por exemplo, fala-se agora de um certo diálogo (...). É preciso resolver [as situações] nos países vizinhos por meio do diálogo com a sociedade civil e com a sociedade política, deixando de lado, é claro, as facções terroristas", acrescentou.
"Hoje temos uma necessidade enorme de diálogo entre as civilizações e de uma coexistência pacífica, respeitando a diversidade e a diferença. Hoje, precisamos fazer da luta contra o terrorismo uma prioridade absoluta", declarou, por sua vez, Houcine Abassi, secretário-geral do sindicato UGTT, um dos componentes do quarteto.
O quarteto, formado pelo sindicato UGTT, pela Confederação da Indústria, Comércio e Artesanato da Tunísia, pela Liga Tunisiana dos Direitos Humanos e pela Ordem dos Advogados do país, recebeu o prêmio das mãos da presidente do comitê do Nobel, Kaci Kullmann Five.
Sob um forte esquema de segurança em razão de ameaças terroristas, a cerimônia começou às 13h locais (10h de Brasília) na Prefeitura de Oslo (Noruega), na presença do rei Harald.
COMPLICADO DIÁLOGO
O Quarteto organizou um longo e complicado diálogo nacional entre os islamitas e seus opositores, obrigando-os a tirar o país da paralisia institucional na qual estava afundado após a queda do regime autoritário de Zine El Abidine Ben Ali, em 2011.
Uma nova Constituição foi adotada no início de 2014, e um Executivo formado por tecnocratas sucedeu o governo dirigido pelos islamitas do Ennahda -vencedores das primeiras eleições democráticas do país- para buscar uma saída para a crise política.
A Tunísia conquistou sua transição política enquanto, ao seu redor, a Primavera Árabe se transformava em caos na Líbia, no Iêmen e na Síria e a repressão retornava ao Egito.
