Ministro quer distribuir repelentes para grávidas se protegerem do Zika
EDUARDO GERAQUE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A distribuição de repelentes para as grávidas se protegerem do mosquito Aedes, anunciada na tarde desta quarta (9) pelo ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB), pode nem chegar a ocorrer.
O Exército Brasileiro, que seria o responsável por produzir o produto, segundo Castro, afirmou, por meio de nota, "que não há previsão de fabricação ou distribuição de repelente para o SUS".
Em evento nesta tarde em um hotel em São Paulo, Castro afirmou que a decisão de usar o laboratório do Exército para produzir os repelentes foi tomada na noite desta terça (8). "Assim que voltar a Brasília, vou cuidar disso".
O laboratório do Exército localizado no Rio de Janeiro, com 200 anos de história, produz substâncias contra a picada de mosquitos para suas tropas. O produto também chegou a ser usado por forças de paz da ONU.
De acordo com Castro, que é psiquiatra de formação, a única forma de controlar a epidemia de microcefalia associada ao vírus Zika, transmitido pela picada do Aedes, é se proteger do inseto.
Por isso, surgiu a estratégia de distribuir repelentes para as grávidas em todo o país. "Entendo perfeitamente o pânico das gestantes", afirmou o ministro.
No curto prazo, na avaliação de Castro, além da proteção, deve haver um grande combate ao mosquito. "Não existe vacina e nem tratamento para as doenças e para a microcefalia", argumentou.
De acordo com o ministro é preciso fazer um mutirão contra o inseto.
"Estamos em situação de emergência nacional. Isso não ocorria desde 1917 com a gripe espanhola. A situação é bastante grave".
Para evitar a picada do Aedes, o governo federal está recomendando que principalmente as grávidas se protejam com roupas de mangas compridas e que usem calças, meias e sapatos.
Em termos geográficos, apesar de o vírus circular, em tese, pelo Brasil todo, o foco da luta contra o mosquito está no Nordeste, segundo informações do ministério da Saúde.
