Ataque do Taleban contra aeroporto no Afeganistão mata dezenas
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grande ataque do grupo radical Taleban contra o aeroporto de Kandahar, no sul do Afeganistão, deixou dezenas de mortos, incluindo civis e soldados.
Os insurgentes iniciaram a ação no começo da noite de terça-feira (8) com a explosão de homens-bomba nos entornos do aeroporto, e confrontos com as forças de segurança se estenderam por várias horas. O local é usado como base militar por forças do Afeganistão, dos Estados Unidos e da Otan (aliança militar ocidental).
Nesta quarta (9), foram relatados novos tiroteios e explosões, e militantes mantiveram reféns em áreas próximas dali. Autoridades disseram à emissora Al Jazeera, do Qatar, que a ação terminou na tarde desta quarta com a morte dos radicais.
Segundo o comandante do exército em Kandahar, Dawood Shah Wafadar, ao menos 18 pessoas morreram. Autoridades afegãs e ocidentais estimam que até 40 pessoas tenham sido mortas no ataque. O governo registrou mortes de insurgentes, mas não divulgou um número.
Não é a primeira vez que o Taleban ataca um aeroporto no Afeganistão. Em 2012, militantes disfarçados de soldados americanos invadiram uma base na província de Helmand e destruíram helicópteros que valiam centenas de milhões de dólares.
O ataque em Kandahar, bastião e berço espiritual do Taleban, coincide com a ida do presidente afegão, Ashraf Ghani, ao Paquistão para uma conferência com líderes regionais, na qual deverá ser abordado o tema da segurança.
Após a saída das tropas de combate da Otan no Afeganistão, há um ano, o Taleban intensificou sua insurgência contra o governo, aliado do Ocidente. Há alguns meses, o grupo chegou a capturar temporariamente Kunduz, cidade estratégica no norte do país.
O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou em outubro o adiamento da retirada das tropas americanas no Afeganistão para depois do fim de seu mandato, em 2016, alongando uma intervenção que já dura 14 anos.
Na semana passada, o Taleban desmentiu rumores de que seu líder, mulá Akhtar Mansur, teria ficado gravemente ferido após um tiroteio no Paquistão. O grupo radical enfrenta profundas disputas internas desde julho, quando confirmou a morte de seu antigo líder e mentor espiritual, mulá Mohammed Omar.
