Adolescentes são envenenados por nicotina nos EUA, diz ONG
THAIS BILENKY
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Apesar da proibição, em algumas companhias, de empregar crianças em plantações de tabaco nos EUA, adolescentes de 16 e 17 anos são submetidos a condições degradantes de trabalho e manifestam sintomas de envenenamento agudo por nicotina, aponta a organização Human Rights Watch em relatório publicado nesta quarta-feira (9).
Jovens empregados em lavouras do fumo na Carolina do Norte trabalham de 11 a 12 horas por dia em ambientes de calor extremo, sem equipamentos de proteção adequados nem acesso suficiente ao banheiro e a torneiras para lavar as mãos.
Com a exposição a pesticidas tóxicos e à nicotina, absorvida pela pele durante o manuseio das plantas de tabaco, desenvolvem sintomas como náusea, vômito, dor de cabeça e tontura.
O estudo ouviu 26 adolescentes de 16 e 17 anos, pais e especialistas em julho deste ano.
Além da responsabilidade dos empregadores, critica a HRW, a legislação americana tampouco protege menores desse tipo de trabalho: qualquer criança com mais de 12 anos pode ser empregada para trabalhar em plantações de tabaco, sem limite de horas, se houver permissão do responsável.
Fazendas pequenas ou de propriedade familiar podem contratar crianças de qualquer idade.
As autoridades nos EUA falham em não conseguir aprovar mudanças na regulação de trabalho infantil, critica a organização.
"O governo americano precisa fazer muito mias para proteger crianças dos perigos da produção de tabaco", diz Margaret Wurth, pesquisadora de direitos de crianças na HRW e coautora do relatório.
Para ela, Congresso e Executivo deveriam impedir menores de 18 anos de trabalhar em fazendas de tabaco.
Em 2014, companhias grandes da indústria do tabaco americana vetaram o emprego de menores de 16 anos nas lavouras, mas adolescentes de 16 e 17 continuam expostos, aponta a organização.
