Cristina propõe deixar faixa e bastão presidenciais para Macri no Congresso
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A dois dias da posse do novo presidente da Argentina, aliados da atual mandatária Cristina Kirchner fizeram uma proposta para que ela deixe o bastão e a faixa presidenciais durante sua passagem pelo Congresso, sem entregá-la ao seu sucessor, Mauricio Macri.
Essa foi a proposta classificada de "racional" pelos aliados de Cristina, que travam uma disputa com a equipe do sucessor pelo local da cerimônia de transmissão de mandato, na próxima quinta (10).
"A proposta é que a presidenta presenciará o juramento e deixará os atributos no recinto para que alguém o entregue ao entrante", diz o comunicado.
A atual presidente e Macri divergem, desde a semana passada, sobre o local onde deve ser a transmissão de mandato. No domingo (6), Cristina revelou que ela e Macri discutiram ao telefone sobre a cerimônia e, segundo sua versão, o eleito teria gritado com ela ao telefone.
Os macristas negam e dizem que a presidente está mentindo. Macri deseja recuperar a tradição de ex-presidentes, que receberam os atributos na Casa Rosada.
Cristina argumenta que o presidente é oficialmente empossado no momento em que faz o juramento, diante do Congresso.
A falta de acordo provocou uma confusão entre representantes de delegações estrangeiras e jornalistas, que ainda não sabem onde será a cerimônia.
Nesta terça, funcionários de países convidados foram convidados para uma reunião na sede do governo da capital Buenos Aires, governada por Macri, para tentar esclarecer detalhes da segurança e do protocolo do evento.
Presidentes de diversos países latino-americanos confirmaram presença, como Dilma Rousseff, Michelle Bachelet (Chile), Juan Manuel Santos (Colômbia), Evo Morales (Bolívia) e Tabaré Vázquez (Uruguai). Também o rei Juan Carlos, da Espanha, estará em Buenos Aires.
O secretário da presidência Eduardo Wado de Pedro e o vice-presidente, Amado Boudou, estiveram reunidos com o presidente temporário do Senado, Federico Pinedo, e o futuro secretário da presidência, Fernando de Andreis, para tentar chegar a um acordo.
Cristina já deu sinais de que vai ao Congresso, o que também poderá ser um problema para Macri, que tampouco poderá barrar a sua presença no Senado.
Fontes ligadas ao presidente informaram, aos jornais locais, que se a presidente aparecer no parlamento, será direcionada a uma tribuna para onde foram convidados os ex-presidentes Carlos Menem, Eduardo Duhalde e María Estela Martínez de Perón (1974-1976).
LIMINAR
Aliados de Macri entraram com uma liminar pedindo que ele passe a ser presidente já a partir da meia-noite de quarta (9) para quinta (10), o que daria poder à equipe do sucessor o controle sobre a cerimônia.
A decisão foi tomada depois que documentos da Secretaria-Geral da Presidência sobre a posse de Macri mostraram que o mandato de Cristina terminava às 24h de quinta (10) para sexta (11).
Pelas redes sociais, militantes da agrupação kirchnerista La Cámpora está convocando aliados de Cristina a se reunirem em frente ao Congresso para se despedirem da presidente, com o slogan "Simpre con vos [sempre com você]".
