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Senador questiona Itamaraty sobre cancelamento de viagem de Dilma

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), por meio da Comissão de Relações Exteriores do Senado, solicitou ao Itamaraty nesta quinta-feira (3) documentos relativos ao cancelamento da viagem que a presidente Dilma Rousseff faria ao Japão e ao Vietnã.
O pedido inclui uma relação dos gastos que foram realizados na preparação das viagens e do quanto deve ser recuperado com os cancelamentos.
A visita seria realizada a partir de terça-feira (1º). A presidente seguiria diretamente de Paris, onde compareceu à abertura da Conferência do Clima da ONU.
Durante a reunião da Comissão de Relações Exteriores (CRE), que Aloysio Nunes preside, o senador questionou a alegação de contenção de gastos do Planalto para o cancelamento.
A Secretaria de Comunicação da Presidência havia afirmado que a mudança de planos se devia às dificuldades financeiras da União -o Congresso ainda não havia aprovado a revisão da meta fiscal, o que impediria o governo de empenhar novas despesas discricionárias.
"[O cancelamento] não tem o menor cabimento. As reservas são feitas com antecedência, as diárias são pagas com antecedência aos hotéis. A presidente da República viaja com uma comitiva", disse o senador, que mencionou também comitivas mandadas antes da presidente e trâmites diplomáticos que precedem as visitas.
Além do impacto no corte de gastos, o senador criticou a perda da oportunidade de fortalecer os laços políticos e comerciais do Brasil com as duas nações.
CIRCULAR SECRETA
A CRE pediu, além do relatório de despesas, cópias das mensagens enviadas às embaixadas de Tóquio e Hanói relativas às viagens e supostas instruções dadas aos diplomatas para tornar secretos os expedientes e documentos sobre viagens presidenciais a partir de 2011.
O requerimento cita um texto do escritor e diplomata Alexandre Vidal Porto publicado na Folha de S.Paulo que critica o cancelamento da viagem.
O colunista do jornal menciona a existência de uma circular secreta no Itamaraty pela qual a gestão de Dilma torna os documentos relativos a viagens oficiais secretos, expedida em maio de 2013.
"Visitas presidenciais exigem meses de planejamento e trabalho e mobilizam centenas de profissionais. Impõem, também, custos altíssimos com aluguel de carros, hotéis e organização. As autoridades japonesas terão de explicar ao seu contribuinte por que desperdiçaram recursos com uma visita que nunca aconteceu", diz Vidal Porto. "O governo de Dilma Rousseff não terá de dar satisfação a ninguém. Por isso, talvez, seja tão fácil cancelar [a viagem]", completa.
Na reunião do CRE, Aloysio Nunes citou alguns mal-estares diplomáticos da gestão de Dilma com o Japão e o Vietnã, como o cancelamento de última hora da recepção do secretário-geral do Partido Comunista deste, em 2012. O episódio também foi abordado pelo colunista.
O Itamaraty não respondeu ao pedido da Folha de S.Paulo para comentar o requerimento da CRE até o momento.

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