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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar interveio com bombas de efeito moral para liberar o cruzamento da rua Teodoro Sampaio com a avenida Henrique Schaumann, que estava sendo bloqueada por estudantes da rede estadual de ensino.
Os estudantes realizam um protesto contra a reorganização das escolas anunciada pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) para 2016.
A ação da PM dividiu quem assistia à cena. Enquanto motoristas ajudavam policiais a retirar as cadeiras que antes bloqueavam a avenida Henrique Schaumann, outros gritavam "vergonha" para os policiais.
Após as bombas, os estudantes seguiram pela rua Teodoro Sampaio, realizando outros bloqueios.
Por volta das 17h30, um grupo de cerca de 150 manifestantes bloqueou o cruzamento da rua Teodoro Sampaio com a avenida Henrique Schaumann, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Para fugir do protesto, alguns motoristas fizeram retorno pelo canteiro central das vias, uma das principais de ligação com a região central da cidade.
Alguns alunos presentes na manifestação são da escola Fernão Dias, que está ocupada há semanas por estudantes.
Desde o início da semana, estudantes têm adotado a estratégia que chamam de "trancamento" das avenidas para chamar a atenção de suas manifestações. Em três casos recentes, a PM precisou intervir com o uso da força para liberar o tráfego.
O advogado Alberico Gazzineo, 30, é um dos presos no trânsito. "Eu acho absurdo qualquer tipo de protesto. A gente tem que mostrar pro mundo que estamos parados? Que investidor vai vir para cá? O Brasil já está parado. Fiquei parado duas horas no trânsito na marginal e agora isso. Estou a 5 minutos do escritório ", reclama.
Entre os motoristas presos no trânsito, estão membros da torcida organizada do Palmeiras, que estavam indo em direção ao estádio do time, ver a final da Copa do Brasil, que ocorrerá nesta noite. Após, uma negociação com os alunos, alguns torcedores conseguiram passar.
Outros presos no trânsito incitavam que os policiais que acompanham a manifestação dispersem os alunos. Um tenente da PM avisou aos alunos do protesto que a via será liberada, nem que a força policial tenha que ser utilizada.
TENSÃO
Na última terça (1), houve conflito dentro da escola Maria José, no centro, após pais e professores tentarem a desocupação do colégio. A PM chegou a usar gás de pimenta na ação.
À noite, um protesto na av. Nove de Julho, com alunos contrários à reorganização, terminou em confronto com PMs, que usaram bombas de gás para desbloquear a via. Alguns revidaram com pedras.
Mais cedo, em Osasco (Grande SP), a escola Coronel Antônio Paiva de Sampaio, que estava ocupada, foi depredada. Os autores não foram identificados. Os alunos negam que tenham sido eles e citam ação de desconhecidos.
Nesta quarta-feira (2), mais cedo, houve um princípio de tumulto entre alguns estudantes e a Polícia Militar. Os policiais tentaram retirar a força alunos que protestavam no meio da avenida Doutor Arnaldo. Alguns policiais usaram cassetetes para imobilizar os manifestantes
DISPUTA
O plano do governo Estadual, já publicado em decreto, prevê a divisão das escolas por ciclos únicos (anos iniciais e finais do fundamental e o médio). Segundo o governo, o objetivo é melhorar a qualidade do ensino e evitar, por exemplo, que alunos de seis anos frequentem a mesma unidade de adolescentes de 17 e 18 anos.
Para isso, 92 escolas serão fechadas, e cerca de 300 mil alunos serão remanejados a rede paulista tem 5.147 escolas e 3,8 milhões de estudantes. Ao todo, 754 unidades novas escolas terão só um ciclo no Estado a partir do próximo ano.
O plano encontra resistência de parte dos alunos afetados -191 escolas estão ocupadas em protesto contra a mudança. Além disso, o Ministério Público do Estado decidiu entrar com ações na Justiça para derrubar a proposta da Secretaria do Estado de Educação de São Paulo.

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