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Pai busca filho em delegacia e defende ato contra reforma de ciclos em SP

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FELIPE SOUZA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O corretor de imóveis Luis Braga, 58, é pai de um dos estudantes detidos na manifestação da avenida Doutor Arnaldo, ligação da zona oeste com a região central da cidade, na manhã desta quarta-feira (2).
Na delegacia, Braga defendeu o direito democrático do filho Francisco Mussatti Braga, 16, de protestar contra a reorganização da rede de ensino anunciada pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) para 2016.
"Eu seria contra o meu filho se ele tivesse cometido algum crime, se fosse racista, machista ou violento. Mas ele estava no direito democrático dele de protestar e foi impedido pela polícia", disse o pai ao buscar o filho.
Francisco, que estuda no segundo ano do ensino médio na Etec (Escola Técnica Estadual) São Paulo, foi até a avenida Doutor Arnaldo para apoiar o protesto de estudantes da escola estadual Professor Antônio Alves Cruz. Eles colocaram cadeiras para interditar as quatro faixas da Doutor Arnaldo, no sentido Sumaré, em frente ao Cemitério do Araçá, por volta das 7h40.
Por volta das 8h30, houve um princípio de tumulto entre alguns estudantes e a Polícia Militar, que começou a retirar a força as cadeiras. Alguns policiais usaram cassetetes para imobilizar alguns dos manifestantes -entre eles Francisco, que foi imobilizado e arrastado enquanto era detido por policiais. Ele foi colocado na carro da polícia e levado para delegacia com outras três pessoas -sendo um adolescente- para prestar depoimento.
Na delegacia, Francisco mostrou os ferimentos na perna que, segundo ele, foram causados no momento da detenção. "Levei chute por trás, me enforcaram e ainda assinei um ato infracional por desacato e resistência. Agora, se o governo continuar usando a repressão contra os estudantes, o movimento vai ficar ainda mais forte", afirmou.
Francisco já participou de diversos protestos na cidade, como os promovidos pelo MPL (Movimento Passe Livre), mas essa foi a primeira vez em que foi detido. Na saída da delegacia, ele revelou um desejo: "quero participar de mais uma manifestação ainda hoje [quarta]."
Um outro manifestante detido, que se identificou como Cebola, 20, teve um ferimento na cabeça e precisou receber atendimento médico em um hospital da região. Os estudantes disseram que novos protestos devem ocorrer ainda nesta quarta, mas disseram que não vão informar os locais com antecedência.
REORGANIZAÇÃO DOS CICLOS
O plano, já publicado em decreto, prevê a divisão das escolas por ciclos únicos (anos iniciais e finais do fundamental e o médio). Segundo o governo, o objetivo é melhorar a qualidade do ensino e evitar, por exemplo, que alunos de seis anos frequentem a mesma unidade de adolescentes de 17 e 18 anos.
Para isso, 92 escolas serão fechadas, e cerca de 300 mil alunos serão remanejados a rede paulista tem 5.147 escolas e 3,8 milhões de estudantes. Ao todo, 754 unidades novas escolas terão só um ciclo no Estado a partir do próximo ano.
O plano encontra resistência de parte dos alunos afetados -191 escolas estão ocupadas em protesto contra a mudança. Além disso, o Ministério Público do Estado decidiu entrar com ações na Justiça para derrubar a proposta da Secretaria do Estado de Educação de São Paulo.

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