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Brasil não quer 'acordo declaratório', afirma negociador-chefe da COP-21

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FLÁVIA FOREQUE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O novo acordo global de clima deverá ter uma "previsão financeira robusta" para alcançar metas ambiciosas e duradouras para a redução do aquecimento global. Essa será a posição do Brasil na Conferência do Clima em Paris (COP-21), que acontece na próxima semana.
"Não é uma posição do governo sair apenas com um acordo declaratório, onde decisões que são necessárias e imperativas sejam adiadas", afirmou nesta quinta-feira (26) o embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho, chefe da delegação brasileira.
Ele reconheceu que o financiamento climático é um dos pontos que exigirá uma "complexa solução". Em 2009, determinou-se que, até 2020, os países ricos contribuiriam com US$ 100 bilhões anuais para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptar às mudanças climáticas. A manutenção desse valor, diz o diplomata, é "altamente insuficiente" para as ações de combate ao aquecimento global.
"Esse é um dos pontos de grande discussão: alguns países desenvolvidos ainda relutam em se comprometer com montantes para depois de 2020, e o quanto a partir de 2020." Outro tema de discussão é o prazo de implementação da meta: o Brasil defende um ciclo de cinco anos, mas outras nações sugerem prazo mais longo, de uma década.
O embaixador afirmou ainda que o acordo não deve ser "minimalista", focado apenas nas metas de redução de emissões apresentadas por cada nação -as chamadas INDCs.
"Isso é a porta de entrada do acordo, mas não é o acordo em si. Não se pode fazer mitigações [dos efeitos], e adaptação [dos países às mudanças climáticas] sem acessar de forma adequada os meios de implementação: financiamento, tecnologias necessárias e capacitação para a governança dos países", disse Raphael Azeredo, diretor do departamento de meio ambiente do Itamaraty.
MARIANA
O chefe da delegação brasileira negou que o acidente de Mariana terá alguma repercussão na credibilidade do país junto aos negociadores da conferência.
"[O rompimento da barragem] não tem a ver com a questão da nossa credibilidade negociadora. Ela é proveniente não apenas das ações e da linha de atuação dos negociadores brasileiros, mas também das ações empreendidas pelo governo. É bom não esquecer o tanto que o Brasil já fez em caráter voluntário na questão do clima", disse.
Ele destacou ainda que ações vêm sendo tomadas para punir os responsáveis pelo rompimento da barragem. "Não vamos confundir as situações: o acidente não tem impacto climático. É um acidente ambiental de proporções, mas não é um tema de clima, é um tema ambiental."

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