Candidato opositor diz ter sido ameaçado por chavistas armados
SAMY ADGHIRNI
CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - Um candidato opositor na eleição parlamentar de 6 de dezembro na Venezuela disse neste domingo ter sido impedido por milicianos governistas armados de fazer campanha num bairro popular a leste de Caracas.
O incidente ocorreu em Petare, maior e mais povoada favela do país, e foi registrado em fotos e vídeos que circularam nas redes sociais.
Nas imagens, dezenas de militantes e motoqueiros vestidos com a camiseta vermelha do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) fecham o caminho do comboio que levava o deputado e candidato à reeleição Miguel Pizarro, da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD).
É possível ver claramente que os governistas apontam armas de fogo para os simpatizantes da oposição que acompanhavam o comboio. Não está claro se houve tiros.
A operação de intimidação foi atribuída aos 'coletivos', grupos parapoliciais criados e armados pelo chavismo para constituir um braço de apoio às forças do Estado em caso de necessidade.
"Nos atacam porque acreditamos que o futuro deve ser diferente, porque acreditamos na reconciliação e porque irão perder no dia 6 de dezembro", escreveu Pizarro no Twitter.
O deputado se disse são e salvo e afirmou que nada conseguirá deter a oposição.
"Somos mais fortes que a violência. Seguiremos nas ruas porque os venezuelanos querem mudança. Nós não temos medo!!!", exclamou em outro post.
Todas as pesquisas indicam favoritismo da oposição num momento em que uma crescente fatia da população culpa o governo pelo cenário de crise econômica, desabastecimento generalizado e índices de violência semelhantes aos de um país em guerra.
A oposição havia pedido observadores internacionais para monitorar não somente o dia do voto, mas também avaliar o clima de legalidade e equidade nas semanas anteriores.
O governo, porém, permitiu apenas uma missão de acompanhamento da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) com poderes de fiscalização limitados. Faltando menos de três semanas para o voto, a missão ainda não chegou à Venezuela.
