Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Geral
publicidade
GERAL

Moradores desconfiam da qualidade da água tratada do rio Doce

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

JOSÉ MARQUES
COLATINA, ES (FOLHAPRESS) - ?As autoridades têm que fazer o papel de amigo do rei: beber a água antes, na nossa frente, para provar que não está envenenada?, diz o aposentado Pedro Paulo Pereira, 62, ao lado do rio Doce recém-encoberto pela lama de rejeitos da mineradora Samarco.
Residente no vilarejo de Porto Belo, em Colatina (ES), Pedro Paulo assistiu nesta quarta-feira (18) a chegada do ?tsunami de lama? vindo de Mariana (MG), a mais de 400 km de distância. Por toda a vida, ele dependeu da água do rio e agora diz que não confia no tratamento feito para torná-la potável novamente.
A desconfiança dos moradores é evidente ao longo dos mais de 220 quilômetros que separam a cidade mineira de Governador Valadares de Colatina. Valadares foi a primeira e a maior cidade a ter o abastecimento interrompido devido à chegada da lama e também a pioneira no uso do coagulante Tanfloc para tratar a água poluída.
O produto, distribuído pela Samarco, também será usado em Colatina, mas a própria prefeitura ainda não sabe dizer se ele será eficaz. Em Valadares, um laudo da Copasa (empresa mineira de saneamento) atestou que a água tratada pelo Tanfloc é potável e até um ministro, Gilberto Occhi (Integração Nacional), apareceu para tranquilizar a população sobre a qualidade da água.
O produto, feito de um composto químico processado a partir da casca do tronco da planta acácia negra, reage com a lama e, com isso, a pasta de sujeira, mais pesada, fica no fundo do tanque de tratamento.
Mas, nas ruas e nas rodas de conversa de moradores, o clima é de incerteza. ?Eu não bebo de jeito nenhum. Nem filtrada. A verdade é que tem tão pouco tempo que ninguém sabe os efeitos reais dessa água no corpo?, afirma o taxista de Valadares João Carlos Alves, 65.
Em locais onde o abastecimento passará a ser feito integralmente por outros rios, como Aimorés (MG) e Baixo Guandu (ES), os moradores dizem não ter expectativa de usar novamente a água do rio Doce.
Em Colatina, a cuidadora de idosos Rita de Cássia, 55, assistia à passagem dos caminhões-pipa pela cidade e questionava: ?É água do rio? Se for, não bebo de jeito nenhum!?.
A cidade recebeu 30 toneladas de Tanfloc. Para o prefeito Leonardo Deptulski (PT), a administração não tem como impedir a desconfiança. ?O nosso papel é apresentar um laudo de técnicos confiáveis dizendo que a água é potável e divulgar isso?, afirmou.
O rompimento da barragem em Mariana aconteceu no dia 5. A lama chegou a Governador Valadares no dia 8 e dez dias depois, em Colatina.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV