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Lama de Mariana deixa cidade a 400 km da barragem refém de carro-pipa

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JOSÉ MARQUES E FABIO BRAGA, ENVIADOS ESPECIAIS
COLATINA, ES (FOLHAPRESS) - À espera da lama de rejeitos de minério vinda da barragem que se rompeu em Mariana (MG) no dia 5, a cidade capixaba de Colatina teve a captação de água do rio Doce interrompida à 0h de quarta (18) e precisou de 1 milhão de litros do produto distribuídos por caminhões-pipa.
Esse volume de água, fornecido por 50 veículos, equivale a 30% do abastecimento normal do município.
Com 120 mil habitantes, Colatina é totalmente dependente do rio Doce e está a mais de 400 km de distância de Mariana, onde a barragem da mineradora Samarco (controlada pela brasileira Vale e a anglo-autraliana BHP) cedeu.
A lama, que também afetou outras cidades de MG e ES, deve chegar ao centro de Colatina nesta quinta (19). No vilarejo de Porto Belo, região rural de Colatina, a lama chegou às 15h desta quarta.
O rompimento de uma das barragens da Samarco provocou um "tsunami de lama" que deixou 12 desaparecidos e sete mortos confirmados - há também quatro corpos ainda não identificados.
Colatina separou parte da água para abastecer hospitais e escolas. Um grupo de 130 homens do Exército foi para a região com três helicópteros.
Pipeiros responsáveis pelos caminhões foram até os rios Pancas e São João Grande e as lagoas do Batista e do Limão para captar água e levá-la às estações de tratamento.
Em Porto Belo, a lama deixou os ribeirinhos apreensivos. A comunidade é formada por nove famílias de lavradores. É o caso de Reinaldo Gomes, 42, que vive no local com a mulher e dois filhos.
TRIÂNGULO MINEIRO
Duas semanas depois do vazamento de lama, a mineradora Samarco reconheceu que outras duas barragens (Santarém e Germano, em Mariana) ainda podem ruir.
A cerca de 580 km de lá, Uberaba também foi afetada pela tragédia da mineradora. Cinco bairros da cidade do Triângulo Mineiro ficaram sem água nesta quarta.
A distribuição foi suspensa por falta de sulfato de alumínio, utilizado no tratamento da água. A prefeitura diz que a entrega atrasou porque o fornecedor priorizou municípios na região de Mariana.

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