Com EUA à frente, operação contra EI deve ser ampliada, diz Hillary
MARCELO NINIO
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Os atentados em Paris reforçam a urgência em intensificar a operação militar contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria, afirmou nesta quinta (19) Hillary Clinton.
A pré-candidata à Casa Branca expôs sua estratégia de combate à facção radical, afirmando que além de ampliar a ofensiva aérea é preciso enviar mais soldados americanos para apoiar rebeldes que combatem o EI. No mês passado, os EUA anunciaram o envio de até 50 militares de suas Forças Especiais à Síria.
"Esta é uma luta mundial e os EUA tem que liderá-la", disse Hillary em discurso no Center on Foreign Relations, em Nova York.
A campanha contra o EI terá que combinar ataques aéreos e ação terrestre para recuperar território ocupado pelos terroristas, disse Hillary. Ela deixou claro, porém, que não defende uma operação terrestre de grande escala com soldados americanos, como ocorreu no Iraque e no Afeganistão. Sua estratégia consiste basicamente em treinar e equipar forças locais.
"A campanha terrestre no Iraque só terá sucesso se mais iraquianos sunitas se juntarem à luta", afirmou. A tensão sectária no país e o ressentimento contra o governo dominado por xiitas levou muitos sunitas iraquianos a considerarem o EI uma força libertadora quando o grupo ocupou partes do país.
Hillary apresentou uma estratégia bem mais agressiva que a de Barack Obama, em mais um passo que a distancia do atual presidente. Como secretária de Estado no governo de Obama (2009-2013), ela já havia sido favorável a um envolvimento maior na guerra civil da Síria.
"Acho que formamos um bom time, mas deixei claro que temos divergências", disse. "Mesmo quando ainda estava no governo eu achava que tínhamos que fazer mais para identificar os moderados e ajudá-los a lutar contra o regime [de Bashar al-] Assad".
Ela voltou a defender o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Síria, outra ideia que sofre resistência no governo Obama. Mas reconheceu que isso só seria possível com a cooperação da Rússia, que está envolvida ativamente em ataques aéreos no país.
"Se pressionarmos dois dois lados da fronteira, por ar e por terra, assim como diplomaticamente, acredito que podemos esmagar o enclave terrorista do EI", afirmou. "Nosso objetivo não é deter, mas derrotar o EI."
A pré-candidata democrata fez críticas indiretas aos rivais republicanos, como o bilionário Donald Trump, que depois dos atentados em Paris intensificou sua pregação por um controle maior das fronteiras americanas e por restrições maiores à entrada de refugiados sírios no país.
Segundo Hillary, fechar as fronteiras é contra a natureza dos EUA, um país de imigrantes. "Este não é o momento de marcar pontos políticos. Precisamos usar todos os pilares do poder americano, incluindo nossos valores, para combater o terror", afirmou.
