Suposto mentor de ataques em Paris foi morto em operação, diz Promotoria
Inclui a retranca FRANÇA-TERRORISMO 5 - (ATUALIZADA)
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Promotoria de Paris confirmou nesta quinta-feira (19) que um homem morto em uma operação policial realizada na quarta (18) é o suposto mentor dos atentados terroristas que mataram 129 pessoas na capital francesa na última sexta-feira (13).
Análises de digitais indicaram que os restos mortais encontrados após a operação são do extremista Abdelhamid Abaaoud, 27, belga de ascendência marroquina.
Abaaoud é ligado à milícia radical Estado Islâmico (EI), que reivindicou a autoria dos ataques em Paris.
Ele foi criado com seis irmãos no bairro de Molenbeek, em Bruxelas, pelos pais, que têm uma loja. Segundo uma irmã, ele não era religioso antes de 2014 e tirava boas notas.
Segundo o ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, suspeita-se que Abaaoud esteve envolvido em quatro de seis ataques frustrados pelas autoridades francesas desde a primavera (outono no Brasil).
Cazeneuve também disse que a França não sabia que o extremista estava em seu território antes dos ataques de sexta.
"Nenhuma informação vinda de países europeus, onde ele poderia ter transitado antes de chegar à França, nos havia sido fornecida", disse o ministro. "Somente em 16 de novembro, depois dos ataques em Paris, um serviço de inteligência de fora da Europa assinalou seu conhecimento sobre a presença dele na Grécia."
Em fevereiro deste ano, a revista on-line do EI, "Dabiq", veiculou uma entrevista com Abaaoud, informando que ele viajara pela Europa despercebido pelas forças de segurança para organizar ataques e adquirir armas.
Imediatamente após os ataques, pensava-se que ele estava na Síria, mas registros de ligações telefônicas levaram a seu esconderijo em um apartamento em Saint-Denis, subúrbio no norte de Paris.
As autoridades francesas afirmam ter evitado mais um atentado em Paris ao desmantelar nesta quarta (18) uma célula terrorista após a megaoperação policial em Saint-Denis que deixou pelo menos dois mortos e oito presos. Ao menos cem policiais foram escalados e 5.000 tiros disparados.
Morreram na operação Abaaoud, que acredita-se ter sido baleado e atingido por uma granada, e uma mulher-bomba que se explodiu durante o confronto com policiais. A Promotoria a identificou como Hasna Aitboulahcen, 26, prima de Abaaoud.
Dentre os suspeitos de envolvimento com os atentados de Paris, continua foragido Salah Abdeslam, um francês de 26 anos nascido na Bélgica. Ele alugou três carros usados nos ataques.
O anúncio da morte de Abaaoud ocorreu pouco depois de o premiê Manuel Valls afirmar que a França enfrenta "risco de ataques com armas químicas ou biológicas".
Também nesta quinta-feira, a polícia belga lançou seis operações de busca, em Molenbeek e outras regiões de Bruxelas, por suspeitos de envolvimento com o terrorismo.
Origem de Abaaoud, a Bélgica é o país europeu que abriga o maior número de radicais islamitas em proporção à sua população.
