Governo está atento a 'lobos solitários' no Brasil, diz Cardozo
GUSTAVO URIBE E NATÁLIA CANCIAN
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - No momento em que o Estado Islâmico realiza atentados contra países como França e Rússia, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta quarta-feira (18) que os órgãos de inteligência do Brasil estão atentos para organizações terroristas e para os chamados "lobos solitários".
Os "lobos solitários" são terroristas que agem individualmente inspirados em grupos radicais, mas sem necessariamente estar a serviço deles.
A polícia francesa trabalha com a possibilidade de esses terroristas terem participado dos atentados em Paris, na semana passada.
O ministro ressaltou que os departamentos de segurança nacionais realizaram monitoramento semelhante na Copa de 2014, como em relação às "barras bravas" (torcidas organizadas argentinas), e disse que um plano semelhante ao adotado no evento esportivo deve ser aplicado para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.
Cardozo ponderou, contudo, que a figura do "lobo solitário" não é comum na "literatura brasileira" e que não vê razão para preocupação sobre atuação desses terroristas. Segundo ele, o país está "plenamente capacitado" para garantir a segurança na Olimpíada, que será sediada no Rio.
"(O lobo solitário) é uma figura hoje analisada pelos órgãos de segurança do mundo inteiro. É uma pessoa sem uma organização criminosa por trás, atuando e criando situações de terrorismo. Eu posso dizer que os órgãos de segurança do país estão atentos para tudo, para organizações terroristas e para situações dos chamados lobos solitários", disse.
Questionado pela reportagem, o ministro não respondeu se o governo brasileiro aumentou o monitoramento a grupos identificados em São Paulo pela Polícia Federal que apoiariam o Estado Islâmico.
Ele justificou que, por uma questão de segurança, não pode comentar questões relativas à área de inteligência.
Segundo reportagem publicada pela revista "Época", em setembro, a Polícia Federal investigou um grupo suspeito de movimentar ilegalmente mais de R$ 50 milhões e que formaria uma célula que apoiava o grupo terrorista.
O ministro participou nesta quarta-feira (18) do Congresso Global de Segurança no Trânsito, em Brasília, com a presença da presidente Dilma Rousseff.
