'Estou apavorada', diz mãe que espera reintegração de posse em escola em SP
FELIPE SOUZA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Desde o início da manhã desta quarta-feira (18), ao menos dez pais aguardam a reintegração de posse da escola estadual Heloísa de Assumpção, em Osasco, na Grande São Paulo.
A decisão judicial ocorreu após a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) entrar com uma ação para retirar os estudantes com idades entre 12 e 17 anos do local. A unidade na última quinta-feira (12) por ao menos cem alunos que protestam contra o fechamento de 92 escolas em todo o Estado a partir de 2016.
A previsão é que no próximo ano o colégio Heloísa Assumpção também passe a ter apenas aulas para o ensino médio. Os alunos e pais querem que as aulas do ensino fundamental sejam mantidas no próximo ano letivo.
Os pais que estão na porta da escola disseram à reportagem que sentem medo de uma possível ação truculenta da Polícia Militar durante a reintegração. "Estou apavorada. Eu não confio na PM porque eles são muito mal preparados e não sabem agir em momentos de intensa emoção", afirmou a funcionária pública Raquel Soares, 50.
O filho dela, de 17 anos, está dentro do colégio e pediu para que a mãe e o irmão, que levou uma câmera para filmar toda a ação policial, fizessem vigília na escola. Ainda não há uma previsão para a reintegração ocorrer.
A autônoma Cristiane Augusto Mahmoud, 43, visita as duas filhas que estudam na escola, de 15 e 12 anos, ao menos duas vezes ao dia desde o início da ocupação. "Elas só saem à noite para tomar banho em casa e jantar. Mas não consigo trabalhar em paz durante o dia e ligo para elas umas 200 vezes para saber como está", conta rindo.
Mahmoud diz, porém, que também está apreensiva com a possibilidade de a polícia invadir o local. "Eu me preocupo com a truculência. Já orientei minhas filhas e os colegas dela a não enfrentarem os PMs para que eles não percam a razão e prejudiquem o movimento inteiro feito em outras escolas. E eu vou fiar aqui para acompanhar tudo", afirma.
A estudante Juliana da Silva Barroso, 15, diz que o grupo de alunos vai resistir no local até quando puder. "Não queremos colocar ninguém em risco, mas estamos apreensivos pelo jeito que vão nos tratar. Nossa intenção é apenas fazer um acordo e negociar nossas reivindicações", afirma.
INVASÕES
O movimento de alunos contra as mudanças na rede estadual anunciadas pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) se espalhou e já afeta as aulas de pelo menos 26 mil estudantes, segundo a secretaria da Educação. Nesta quarta (18), a pasta publicou no "Diário Oficial" uma resolução que mantém o cumprimento dos 200 dias letivos em todas as escolas da rede e que a equipe gestora deve reprogramar e estender o calendário letivo nas unidades em que as aulas estão suspensas devido às invasões.
"A secretaria tem a obrigação de garantir a continuidade das aulas. Estamos e sempre estaremos abertos ao diálogo com estudantes e professores que queiram se manifestar sobre a reorganização ou outro tema. Mas não podemos ficar rendidos a grupos distantes da educação. É preciso responsabilidade com nossos alunos", disse Herman Voorwald (Educação).
Os manifestantes protestam contra a intenção do governo estadual de dividir parte das unidades por ciclos únicos (anos iniciais e finais do fundamental e o médio). Para isso, a gestão tucana deve viabilizar em 2016 o fechamento de 92 escolas e o remanejamento de cerca de 300 mil alunos -a rede tem 5.147 escolas e 3,8 milhões de estudantes. Ao todo, 754 unidades terão só um ciclo no Estado.
O plano sofreu uma derrota na Justiça nesta segunda (16). Uma decisão em caráter liminar (provisório) suspendeu o fechamento da escola Braz Cubas, em Santos, a pedido da Defensoria Pública e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
As instituições argumentavam, entre outros pontos, que o governo não poderia fechar uma referência na educação de crianças com deficiência. A decisão determina que a escola continue funcionando até que seja provada "a real necessidade do encerramento de suas atividades". Na semana passada, o governo já havia recuado da decisão de fechar outro colégio, na zona rural de Piracicaba (a 160 km de SP), após mães procurarem a Promotoria.
A Secretaria do Estado de Educação do Estado informou nesta quarta (18) que os alunos terão que cumprir os 200 dias letivos.
publica nesta quarta-feira, dia 18, no Diário Oficial a resolução que mantém o cumprimento dos 200 dias letivos em todas as escolas da rede. A publicação determina que, nas escolas em que estejam acontecendo ocupações, a equipe gestora deve reprogramar e estender o calendário letivo a fim de concluir as atividades escolares.
