Terror reforça necessidade de proteger democracia, diz príncipe da Noruega
GUSTAVO URIBE E FLÁVIA FOREQUE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O príncipe herdeiro da Noruega, Haakon Magno, classificou nesta segunda-feira (16) como "terríveis" os ataques terroristas em Paris, que deixaram ao menos 129 mortos na última sexta-feira (13).
Em visita ao Brasil, o membro da família real ressaltou que o episódio deixou o mundo entristecido e avaliou que eles demonstra a importância de proteger o compromisso da comunidade global com os valores democráticos.
O príncipe realizou nesta segunda-feira (16) visita oficial ao presidente interino, Michel Temer. A presidente Dilma Rousseff está na Turquia, para encontro do G20.
Em julho de 2011, 77 pessoas foram mortas em ataques terroristas na Noruega -oito na explosão de uma bomba perto da sede do governo e 69, a maioria delas estudantes, na ilha de Utoya, a 38 km da capital, Oslo.
No ano seguinte, o assassino, o extremista de direita Anders Breivik, foi condenado a 21 anos de prisão.
Em pronunciamento à imprensa, Michel Temer ressaltou o repúdio do governo brasileiro aos ataques a Paris e os classificou de "selvageria".
"Registro desde já o nosso pesar por aquilo que aconteceu na França, em Paris. O ato de terrorismo é repudiado pelo mundo todo e pelo nosso país. O Palácio do Planalto hoje está com as cores da bandeira francesa. Ou seja, nós o vestimos com a tristeza que hoje acomete os franceses em geral", disse.
RELAÇÕES BILATERAIS
Em discurso, o príncipe herdeiro ressaltou que o Brasil é hoje uma liderança mundial no combate ao desflorestamento e defendeu o aumento dos acordos bilaterais entre os dois países.
Ele lembrou que tanto a Noruega como o Brasil são grandes produtores de petróleo e que, portanto, as duas nações enfrentam o desafio de se adaptar às novas condições mundiais.
"Estamos cientes de que temos de nos adaptar a tempos mais desafiadores. Esperamos que, por meio de uma colaboração entre os dois países, consigamos transformar os desafios atuais em oportunidades futuras", disse.
O presidente interino defendeu também o fortalecimento das relações bilaterais entre Brasil e Noruega e afirmou que o governo federal considera prioritário ampliar as atuais relações comerciais. "A evolução do nosso intercâmbio comercial é extremamente positiva, já que de 2005 a 2014 ele cresceu mais de 145%", ressaltou Temer.
Na sequência da visita, o príncipe participou de um almoço no Palácio do Itamaraty com o presidente interino. Ao chegar ao local, Temer pediu a Haakon que não se preocupasse com os manifestantes que reivindicavam uma intervenção militar.
Por causa do protesto, foi necessária ação de seguranças e batedores para a chegada do príncipe ao Itamaraty.
A comitiva do príncipe herdeiro ao Brasil é formada por ministros, diplomatas e empresários noruegueses. Na terça-feira (17), ele viajará ao Rio para discutir parcerias econômicas; na quarta-feira (18) e na quinta-feira (19), estará em Belém, para firmar parcerias na área de preservação ambiental.
Colaborou São Paulo
