Mercadante apoia cobrança por especialização em instituições públicas
FLÁVIA FOREQUE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, se mostrou favorável à cobrança de cursos lato sensu (especialização) por instituições públicas. O tema é motivo de ressalva entre entidades do setor e está previsto em PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que tramita na Câmara dos Deputados.
?Por que o profissional que está formado e tem dinheiro no bolso não pode pagar??, questionou o ministro em audiência pública na Casa, na quarta-feira (11). Ele, no entanto, defendeu gratuidade para estudantes que não puderem pagar as despesas.
?Tem uma resposta que precisa ser dada: e os que não podem pagar, como é que chegam [na especialização]? Pega os recursos e faz bolsa de estudos?, disse.
O texto base da PEC que permite às universidades públicas cobrar cursos de extensão, especialização e mestrado profissional foi aprovado no mês passado no plenário da Câmara. É preciso votar ainda destaques do texto que questionam a cobrança no mestrado profissional. A nova regra não atinge, no entanto, residências médicas e cursos de pós para formação de professores.
QUEIMAR LIVROS
Durante quase quatro horas, o ministro apresentou dados e respondeu perguntas dos congressistas a respeito da educação. Ele afirmou que o tema da redação ?não é ideológico? e voltou a defender questões apresentadas no Enem, apesar de ter dito que ?não faria? algumas perguntas. ?Só que não é o Ministério da Educação que faz [a prova]?, argumentou. Questionado por um deputado, ele também negou haver ideologia em material didático distribuído nas escolas públicas.
Para ele, o debate é necessário, mas ?sem patrulha do MEC?. ?Sem dizer ?essa pergunta não entra, esse autor pode, esse autor não pode?. Daqui a pouco estamos queimando livro em praça pública. É um péssimo caminho para a educação.?
CIÊNCIA SEM FRONTEIRAS
Mercadante reconheceu limitações orçamentárias neste ano, mas também ressaltou avanços -como aumento do número de bolsistas brasileiros no exterior. Ele elogiou o programa Ciência sem Fronteiras, mas fez uma crítica ao setor privado, que também participou da iniciativa.
?O setor privado não compareceu?, criticou ele, que citou a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e a Vale como entidades que cumpriram integralmente o que foi acordado.
