Manifestantes bloqueiam ferrovia da Vale em Governador Valadares
THIAGO AMÂNCIO E ZANA FERREIRA
GOVERNADOR VALADARES, MG (FOLHAPRESS) - Em protesto contra a interrupção no abastecimento de água em Governador Valadares (MG), cerca de 50 manifestantes atearam fogo em pneus para obstruir a estrada de ferro Vitória a Minas na tarde desta quinta-feira (12).
O corte na água aconteceu devido ao fluxo de lama com rejeitos de mineração que atingiu o rio Doce após o rompimento de barragens em Mariana - tragédia que deixou pelo menos seis mortos. O rio é a principal fonte de água da cidade.
O município suspendeu o abastecimento no último domingo (8) e decretou estado de calamidade pública na terça-feira (10). Cerca de 280 mil pessoas foram afetadas.
A ferrovia bloqueada é administrada pela Vale, uma das duas controladoras da mineradora Samarco, responsável pelas barragens que se romperam.
Os bombeiros acompanharam o protesto desta tarde, e o incêndio nos pneus não saiu do controle. A manifestação terminou por volta das 18h30. De acordo com Clero Júnior, um dos manifestantes, o objetivo de chamar atenção dos órgãos ambientais e do Ministério Público foi cumprido.
Em Baixo Guandu (ES), onde a lama com rejeitos da mineração deve chegar na próxima segunda-feira (16), o prefeito Neto Barros (PC do B) ameaçou usar máquinas e tratores da prefeitura para interromper o funcionamento da ferrovia.
"Comunicamos a Vale e a sociedade que a Prefeitura de Baixo Guandu colocará suas máquinas sobre os trilhos da estrada de ferro Vitória a Minas e paralisará o transporte de minério de ferro até que os responsáveis pelo imensurável crime ambiental apareçam com as respostas e soluções práticas urgentes e necessárias para minimizarmos a catástrofe", disse o prefeito, por meio de sua página no Facebook..
Em nota, a Vale afirmou que "está tomando as medidas necessárias para garantir o tráfego ao longo da estrada de ferro".
A Samarco informou que enviou a Governador Valadares 2,5 milhões de litros de água "para ajudar no abastecimento dos moradores da cidade, alem de 13 mil litros de água potável". Segundo a empresa, a partir desta sexta-feira (13), enviará 2,4 milhões de litros de água por dia.
A prefeitura rebate. Em nota, diz que "até agora", a Samarco custeou apenas os caminhões-pipa, um dos itens do plano de emergência apresentado pela prefeitura e objeto da ação impetrada pelo Ministério Público contra a mineradora.
"Para uma população de 280 mil habitantes, como a de Governador Valadares, são necessários cerca de 70 milhões de litros de água por dia. Portanto, esses números mostram ser insuficientes os esforços dispensados pela empresa Samarco já no quarto dia sem acesso a captação de água no rio Doce", afirma o documento.
