FBI investigou por dez anos entidade que combateu Escola das Américas
THAIS BILENKY
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Por pelo menos dez anos, o FBI (polícia federal dos EUA) vigiou a organização Soaw (School of Americas Watch), que luta pelo encerramento da Escola das Américas, por onde passaram milhares de militares da América Latina.
A pretexto de ações antiterrorismo, os investigadores do FBI monitoraram ativistas da Soaw, apesar de considerá-los "pacíficos".
Relatórios sigilosos do FBI, obtidos por advogados da entidade Partnership for Civil Justice Fund (parceria para o fundo de justiça civil, em tradução livre), revelam que informantes foram mandados para acompanhar protestos anuais da Soaw, entre outras táticas de monitoramento.
Organizadas sempre em novembro, as manifestações acontecem em Fort Benning, na Geórgia, sede da Escola das Américas, hoje chamada de Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança.
A Academia do Exército formou milhares de militares latino-americanos que comandaram as ditaduras militares nas décadas de 1970 e 1980. A academia foi alvo de inúmeras denúncias de torturas, desaparições e golpes.
O FBI justificou o monitoramento, realizado entre 2000 e 2009, pela possibilidade de identificar "participantes mais agressivos" e "facções de células radicais", entre outros.
Mas registrou, contudo, que os atos se assemelhavam a "festivais de rua" e que não aparentavam ter propensão à violência.
As informações apuradas eram repassadas ao escritório do FBI em Atlanta para circular pela polícia local.
Para Mara Verheyden-Hilliard, diretora da Partnership for Civil Justice Fund, as ameaças vagas eram insuficientes para o "abuso" cometido contra a Soaw, assim como, segundo ela, contra o movimento Occupy Wall Street e o Black Lives Matter (vidas negras importam).
Os episódios "tornam claro que o FBI não pode ser autorregulado". "É hora de haver leis que o proíbam de usar a autoridade contra protestos pacíficos e a liberdade de expressão protegida pela Constituição", afirmou a diretora.
A Soaw informou que "os ativistas de todas as Américas não se intimidarão" e manteve a manifestação deste ano, em Fort Benning, marcada para os dias 20 a 22 de novembro.
A manifestação visa criticar políticas repressivas dos EUA e promover atos não violentos.
