Alunos em Itaquera vão passar a noite em escola em ato contra fechamento
FELIPE SOUZA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Inspirados nos alunos do colégio Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, cerca de cem estudantes ocuparam a escola estadual Salvador Allende Gossens, em Itaquera (zona leste), no início da manhã desta quinta-feira (12).
Os estudantes quebraram os cadeados dos portões por volta das 5h e colocaram novos no lugar para impedirem o acesso. Eles disseram que a polícia ainda tentou invadir o local algumas vezes após a entrada dos alunos. "Eles [PMs] deram muitos chutes nos portões. As meninas tremiam muito, então tivemos de montar uma barreira na porta", disse o estudante Diego Italo Silvério, 19.
Os alunos afirmam que não contaram com a ajuda de nenhum partido político ou movimento social para planejar a ocupação. Eles dizem apenas que a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) os informou que apoia a iniciativa.
Os estudantes dizem ter decidido ocupar o local após a diretoria da escola anunciar o fechamento da unidade. Eles dizem que o local tem aulas para alunos do ensino médio no período da manhã e para o segundo ciclo (do 5º ao 9º ano) à tarde.
Os estudantes do ensino médio devem ser transferidos para a escola Francisco de Assis Pires Correia, a 1,3 km de distância à pé do atual colégio.
Durante visita à área interna a escola às 11h, a reportagem presenciou os alunos concentrados no pátio e na cozinha. Parte deles preparava o almoço, mas a maioria jogava pingue-pongue, futebol ou fabricava cartazes.
Os estudantes trancaram os acessos às salas, laboratórios e biblioteca da escola. A intenção é preservar o local e os materiais e trabalhos guardados. Eles pretendem ficar no local até serem recebidos pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) para negociar o funcionamento da escola no próximo ano letivo.
PASSAR A NOITE
Assim como os estudantes da escola estadual Fernão Dias Paes, os alunos da escola Salvador Allende já se preparam para passar a noite no local. Os estudantes pedem para que as pessoas levem colchonetes e mantimentos para eles se manterem no local pelos próximos dias.
Em assembleia, os estudantes vetaram o uso de drogas ou bebidas alcoólicas dentro da escola. Eles também definiram equipes de segurança, limpeza e cozinha para manter a organização do espaço.
Mãe de uma estudante de 16 anos que estuda no colégio, a auxiliar de limpeza Sandra Elisa Guimarães dos Santos, 46, disse que apoia o protesto e, se puder, também vai dormir no local. "Eles querem fazer minha filha sair de uma escola perto de casa para andar 1,5 km. O caminho da nova escola tem pontos de tráfico de drogas e ela vai ter de passar por lá 6h30. Agora, você acha que eu vou ficar tranquila no trabalho pensando na segurança dela?", disse.
No início da tarde, o acesso de jornalistas e outras pessoas que não sejam estudantes foi vetado após uma assembleia dos alunos. Uma equipe do conselho tutelar regional também foi ao local.
