Dilma cobra de Samarco reconstrução de cidades afetadas por tragédia em MG
GUSTAVO URIBE E MARINA DIAS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A presidente Dilma Rousseff cobrou nesta quarta-feira (11) dos presidentes da BHP e da Vale, controladoras da mineradora Samarco, paguem todos os custos para recuperar os municípios atingidos pelo rompimento das duas barragens na região de Mariana, em Minas Gerais.
Em conversa por telefone com Murilo Ferreira (Vale) e Andrew Mackenzie (BHP), a petista disse que a responsabilidade pela reconstrução de moradias, estradas, propriedades e estabelecimentos é da mineradora, assim como a reparação ambiental e o fornecimento de água, também afetado pela tragédia.
Nesta quarta-feira (11), a Folha de S.Paulo antecipou que a presidente delegaria à mineradora todos os custos para recuperar os municípios atingidos pela lama do rompimento das barragens. A petista tem dito que não é papel do governo federal assumir as despesas de uma tragédia causada por empresas privadas.
A presidente viajará nesta quinta-feira (11) a Minas Gerais e Espírito Santo para sobrevoar as áreas afetadas pelo rompimento das barragens. Nos locais, irá se reunir com os governadores Fernando Pimentel (Minas Gerais) e Paulo Hartung (Espírito Santo).
"A mineradora admite que irá fazer todo o esforço para, no mais rápido possível, dar as respostas. Ela colocou à presidente toda a disponibilidade em dar as respostas, contribuir nas soluções e apresentar um plano que possa ser avaliado por todos que foram impactados por esse desastre", relatou o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, segundo o qual a presidente também cobrou que a mineradora apresente um plano de emergência.
Segundo ele, a petista também cobrou da mineradora que pague despesas dos municípios afetados pela tragédia com carros-pipa, perfuração de poços, execução de adutoras de montagem rápida e mudança de captação dos mananciais existentes. O governo federal ainda não tem estimativa de quanto será o custo de todas as obras emergenciais para a mineradora.
"A nossa cobrança a Samarco é de que ela pague todas essas despesas até a volta à normalidade do abastecimento de água a esses municípios", disse.
COMITÊ
O ministro informou ainda que a presidente criará, por meio de portaria que será publicada no "Diário Oficial da União", um comitê de gestão de crise para acompanhar as ações emergenciais estabelecidas pela Samarco e cobrá-la pela reconstrução e abastecimento das cidades afetadas, além da reparação ambiental.
Ele será formado pelos ministérios da Integração Nacional, Meio Ambiente e Minas e Energias, bem como o Ministério Público e os governos de Minas Gerais e Espírito Santo.
A presidente visitará a região depois de uma semana do acidente, que contabiliza 6 pessoas mortas e 21 desaparecidos. A demora da visita se deu porque, mesmo aconselhada por ministros a visitar os entornos de Mariana, ela insistia que era preciso "ficar claro de quem era a responsabilidade" antes de seguir a Minas Gerais e Espírito Santo.
MULTA
O ministro disse que a presidente determinou ainda à ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) que estude maneiras de aplicar multa a Samarco pelos danos ambientais causados.
Mais cedo, a ministra disse que o governo federal estava analisando a questão. "Se couber a aplicação de multa por parte do órgão federal, nós aplicaremos e seremos rígidos. Vai ter punição, tem de ter a penalização brasileira restaurar ambientalmente, terá de fazer, mas teremos de entender todo o processo e não tive as informações ainda do licenciamento ambiental", afirmou.
Ela também ressaltou que o acidente foi uma "catástrofe ambiental" e que o governo federal deve avaliar a possibilidade de endurecimento na legislação e fiscalização para que novos desastres como este não ocorram.
"Nós temos de avaliar não só a questão da remediações, mas também o caráter preventivo, se a legislação que está posta é suficiente ou não para fazermos esses. Minas Gerais tem sido objeto de acidentes nos últimos anos de barragens. E com o detalhe importante que esse acidente não está associado a chuvas", concluiu.
