Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Geral
publicidade
GERAL

'Mar de lama' de barragens paralisa indústrias na região do rio Doce

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

NICOLA PAMPLONA E BRUNO VILLAS BOAS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A chegada da lama das barragens da Samarco ao rio Doce começa a afetar os negócios em cidades ribeirinhas da região. Empresas de variados portes -da fabricante de celulose Cenibra a cooperativas agroindustriais- estão sendo forçadas a suspender a produção por dificuldades no suprimento de água.
O frigorífico Mafrial, de Governador Valadares (MG), decidiu fechar as portas ao meio-dia desta terça-feira (10) e mandar os 412 funcionários para casa por pelo menos três dias.
"Tivemos que parar porque não há condições de tratar a água. É muita lama. E existe a suspeita de que há muito resíduo de minério, contaminação. Não posso arriscar", disse Waltair Moreira, gerente industrial do Mafrial.
O frigorífico é um dos 144 usuários autorizados a captar água no rio Doce, lista que inclui desde produtores rurais a empresas de saneamento, e está entre as empresas que têm sofrido os impactos da tragédia.
O Mafrial capta de 400 a 500 litros de água por dia do rio Doce, que fica a 30 metros de distância do portão do abatedouro. A água é tratada e usada na higienização dos equipamentos e no processo de abate.
A empresa abate por dia 600 cabeças de gado, que são comprados de 200 produtores rurais da região. Essa carne abastece frigoríficos do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. "O prejuízo ambiental e financeiro é grande", afirma Moreira.
Uma das primeiras a suspender as atividades foi a fabricante de celulose Cenibra, que fechou as portas da fábrica em Belo Oriente ainda no sábado (7), "devido às restrições para captação de água no Rio Doce".
Em nota oficial, a empresa diz que não há previsão de retorno da fábrica, que tem capacidade para produzir 1,2 milhão de toneladas.
A Cooperativa do Vale do Rio Doce, que produz 200 litros de leite por dia da marca Ibituruna, em Governador Valadares, percorreu as fazendas da região para alertar seus 1.500 produtores a não utilizar a água do rio.
Os produtores de leite utilizam a água para alimentar o rebanho, irrigar a capineira (pasto de capim) e produzir milho. Segundo Gilmar Oliveira, gerente-geral da cooperativa, a preocupação é com o que pode existir na água.
"Estamos ainda aguardando os órgãos competentes nos dizerem quando e se poderemos tratar a água. O que estamos vendo é um rio sem oxigênio, com muito peixe morrendo", disse Oliveira.
Localizada em Resplendor, quase na divisa com o Espírito Santo, a Capel Tradição em Latícinios começa a se preparar para enfrentar a crise.
"Fomos informados que a segunda onda de lama chegará aqui amanhã [quarta-feira] e teremos que interromper a captação de água", diz o gestor da área de meio ambiente da empresa, Fabiano Rodrigues dos Santos.
A Capel capta do rio Doce uma média de 8 litros por segundo, usados para limpeza de equipamentos e alimentação de caldeiras, além do consumo dos empregados.
Santos explica que a água de poços artesianos vai permitir a manutenção de determinadas atividades, mas as linhas de produção de leite UHT e de queijos, excluindo a muçarela, serão paralisadas.
"Sem água não dá para trabalhar", lamenta ele, calculando uma perda de 30% na receita até que a situação se restabeleça.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV