Para FHC, é preciso prestar 'muita atenção' em eleições na Venezuela
ISABEL FLECK
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta terça-feira (10) que a Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que enviará uma missão de observadores à Venezuela, preste "muita atenção" nas eleições legislativas de 6 de dezembro.
"É preciso prestar muita atenção no que vai acontecer na Venezuela, porque não há um clima de liberdade", disse FHC à reportagem, após evento no Instituto Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo.
"A Venezuela não é o Brasil. Aqui nós podemos criticar, somos livres, não temos medo de ser presos. Lá as pessoas estão sendo presas, há uma pressão muito forte do governo", completou o ex-presidente, que tem sido bastante vocal em denunciar a prisão arbitrária do opositor Leopoldo López.
No fim de outubro, um dos principais responsáveis pela acusação contra López, o promotor Franklin Nieves denunciou suposta manipulação no julgamento do opositor. López foi condenado a quase 14 anos de prisão sob pretexto de incentivar protestos violentos.
FHC disse que o Brasil, especialmente, precisa ser minucioso na missão de observação.
"O Brasil tem que ser claro em dizer o que está certo e o que está errado. O Brasil tem que defender os direitos humanos na Venezuela e a democracia", afirmou.
Mesmo antes de ter sido formada, a missão já havia gerado um imbróglio diplomático entre Brasília e Caracas.
Isso porque, diante de uma resistência do governo de Nicolás Maduro ao nome do ex-ministro Nelson Jobim para chefiar a missão -e de um atraso que comprometeu o trabalho dos observadores-, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) anunciou que não participaria da missão da Unasul.
Agora, o Itamaraty tem sondado juízes e técnicos que já passaram pelo TSE que aceitariam participar da missão. Cada país pode enviar até quatro representantes.
