Morre aos 96 o ex-chanceler da Alemanha Ocidental Helmut Schmidt
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Helmut Schmidt, o ex-chanceler da Alemanha Ocidental que conduziu seu país pela crise econômica global e as tensões da Guerra Fria que marcaram os anos 70 e o início da década de 80, morreu nesta terça-feira (10) em Hamburgo. Ele tinha 96 anos.
Dos seis chanceleres que lideraram a hoje extinta Alemanha Ocidental entre o fim da Segunda Guerra (1945) e a reunificação com a Alemanha Oriental, em 1990, nenhum envergou o manto de estadista em casa e no exterior com mais propriedade e mais profissionalismo e eficácia do que Schmidt.
Quando sucedeu Willy Brandt, em 1974, como o segundo chanceler social-democrata do país, Schmidt, um ex-ministro da Defesa e da Economia, trouxe uma rica gama de experiências para o gabinete e logo consolidou sua autoridade no cenário mundial.
Os social-democrata, de centro-esquerda, liderou a Alemanha Ocidental de 1974 a 1982, quando perdeu o poder para o conservador Helmut Kohl. Suas qualidades de lideranças, assim como seus princípios, eram voltados para obter o melhor para seu país e para Europa.
Sua forma direta de falar e se estilo político às vezes moralista foram influenciados por sua convicção de que seu país deveria tirar as lições mais duras da catástrofe da guerra. Sua percepção era a de que a sombra de Adolph Hitler e do campo de concentração de Auschwitz obrigavam a Alemanha a promover a integração europeia e a estabilidade internacional.
Uma de suas frases mais conhecidas, que resumia seu lado sombrio e pragmático e sua desconfiança dos ideólogos era "todo mundo que tem uma visão de algo deve procurar um médico".
Schmidt se tornou um velho estadista icônico, fazendo-se ouvir no debate político alemão mesmo nonagenário.
O jornal alemão "Suddeutsche" escreveu, em seu obituário: "Como político, Helmut Schmidt foi um administrador de crises e um economista global. Como aposentado, ele era um relações-públicas e um senhor estadista. Após a derrota nas urnas que o retirou da Chancelaria, sua popularidade cresceu ano após ano".
SAÚDE
Nos últimos meses, o estado de saúde de Schmidt piorou consideravelmente. Em setembro, ele foi operado às pressas pela obstrução de um vaso sanguíneo em uma de suas pernas. Após a cirurgia, o ex-chanceler pediu para receber alta do hospital.
Schmidt morreu em casa, acompanhado de sua mulher nos últimos anos, a ex-colaboradora Ruth Loah, e de sua filha, Susanne, que vive no Reino Unido e voou para Hamburgo na segunda (9) após ser desenganada pelos médicos.
Fumante contumaz, em 1981, ele passou por uma operação para colocar um marca-passo. Depois sofreu várias complicações cardíacas, a mais grave delas um infarto agudo em 2002.
