Kirchneristas põem aliados em órgão de controle de contas na Argentina
MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Faltando pouco mais de um mês para o fim do mandato de Cristina Kirchner na Presidência da Argentina -em 9 de dezembro-, parlamentares governistas aprovaram na tarde desta quarta-feira (4) a nomeação de dois políticos ligados à presidente para um órgão de controle do governo.
A nomeação para a Auditoria-Geral da Nação Argentina prevê que os dois terão mandato de oito anos. Portanto, por toda a nova gestão presidencial.
Com isso, a Frente para Vitória, agremiação da presidente, deterá cinco dos sete assentos na Auditoria, que tem como atribuição aprovar as contas do governo.
Inconformados com a votação, parlamentares da oposição se retiraram do plenário e alegaram que não havia quórum para a aprovação dos nomes. Mas, como são minoria, não evitaram a derrota.
KIRCHNERISTAS
Os dois nomes aprovados para a Auditoria são políticos kirchneristas, mais ligados à presidente Cristina do que ao próprio candidato a presidente da situação, Daniel Scioli.
No órgão de controle, terão como uma das primeiras atribuições analisar as contas do final do governo Kirchner.
Um deles é Julián Alvarez, 32, militante da agremiação La Cámpora. Ele concorreu e perdeu a eleição para a Prefeitura de Lanús, cidade nos arredores da capital.
O segundo é Juán Ignácio Furlón, que poucas horas antes da nomeação para a Auditoria pediu baixa do cargo de presidente do banco estatal Nación.
Os dois foram aprovados e fizeram seus juramentos de posse no cargo em seguida, sob gritos de protesto de deputados da oposição. Alvarez e políticos kirchneristas comemoraram a aprovação com o V de vitória, também símbolo do peronismo.
Revoltada, a deputada Graciela Camaño, que integra a Frente Renovadora (que reúne peronistas anti-kirchneristas), afirmou que a nomeação era "uma vergonha".
"Quero deixar registrado: os dois funcionários foram empossados sem quórum. Fizeram com que eles jurassem como ladrões, para levar um papelzinho debaixo do braço [que comprova] um conchavo para os próximos oito anos".
BANCADAS
O presidente da Câmara dos Deputados, Julián Dominguez, negou que a votação tenha sido uma manobra dos políticos kirchneristas.
Segundo ele, os mandatos para a Auditoria venceram em 5 de setembro, e foi acordado que a troca seria feita após a eleição legislativa (que ocorreu no dia 25 de outubro).
De acordo com o parlamentar, duas vagas ficaram para a Frente para Vitória seguindo a nova formação na Câmara dos Deputados. Mesmo com menos assentos -dos atuais 135 para 112-, a agremiação seguirá sendo a maior bancada do Parlamento.
"Não estamos buscando impunidade para ninguém", disse Dominguez.
