Protesto marca enterro de jovem morto por policial no Rio
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Aos gritos de "justiça" e "assassinos", cerca de 70 pessoas realizaram um protesto na tarde desta sexta-feira (30) no enterro de Jorge Lucas de Jesus Paes, 17, no cemitério de Inhaúma, zona norte do Rio. O jovem morreu, junto com o amigo Thiago Dingo, 24, no final da tarde de quinta (29) com um tiro de fuzil disparado por um policial militar em patrulhamento.
O policial, que é sargento da Polícia Militar e não teve seu nome divulgado, teria feito o disparo após confundir com uma arma o macaco hidráulico, que uma das vítimas transportava. Os dois amigos estavam em uma moto e foram atingidos pelo mesmo disparo.
Durante o enterro, Amarildo Silva, que foi professor de Jorge, disse que o adolescente era um estudante dedicado. "Às vezes, Jorge chegava cansado na sala de aula por causa do trabalho. Era um aluno bastante esforçado", disse.
Em depoimento na Delegacia de Homicídios, o policial alegou que pensou que as vítimas estivessem com uma arma e, por isso, atirou. A distância em que o disparo foi realizada ainda será determinada durante uma reprodução simulada do crime, ainda sem data marcada.
Até o momento, os investigadores divulgaram que o disparo foi feito quando os dois jovens já tinham cruzado com a viatura, em uma rua da Pavuna, na zona norte da cidade.
Como o PM colabora com a investigação, a Polícia Civil ainda não pediu a prisão dele. O agente ficará afastado dos serviços de rua e receberá atendimento psicológico.
O enterro do outro jovem morto acontecerá na manhã deste sábado (31). Na porta do Instituto Médico Legal, o pai de Thiago, Gilberto Dingo, desabafou. "Chamei o PM de assassino e perguntei porque ele atirou. Ele não respondeu e teve uma postura de deboche. Vamos processar o Estado".
